BOTELHO, Isaura. Políticas culturais: discutindo pressupostos. In: NUSSBAUMER, Gisele. Teorias e políticas da cultura: visões multidisciplinares.Salvador : edufba, 2007, p. 171-180.
A autora traça um perfil sobre as políticas públicas que surgem a partir do pressuposto da democratização cultural, analisando-as criticamente e propondo, em seu lugar, o pressuposto da democracia cultural, rompendo com abordagens que priorizam somente a Alta Cultura. Ou seja, a autora critica a excessiva valorização, por parte dos governos, de um paradigma que orientou a produção de inúmeras políticas públicas voltadas para a cultura, mas que não é capaz de lidar com a diversidade cultural. Nesta perspectiva, legitima-se, de cima para baixo, um tipo específico de cultura, em que basta o encontro entre o público e uma obra erudita, resumindo-se a problema de oferta. A democracia cultural como pressuposto de uma política pública de cultura, por sua vez, deve partir da pluralidade, em que há o incentivo ao desenvolvimento dos sujeitos, não a sua mera transformação em consumidor de bens e serviços ligados a cultura. Para Botelho, “ninguém tem um comportamento estritamente homogêneo nas preferências culturais. As pessoas transitam por diversos registros e códigos, dependendo da circunstância” (p.175), indicando que práticas culturais dos mais diversos tipos devem ser incentivadas, não apenas aquelas ligadas às elites. Nesse caso, a desigualdade de acesso a bens e serviços culturais, em comunidades pequenas, por exemplo, nem sempre é uma ação muito clara. Só “se pode falar em desigualdade de acesso quando há um forte desejo alimentado coletivamente” (p.175). Portanto, o desafio contemporâneo das políticas públicas de cultura passa pela possibilidade de experimentação, levando o sujeito para além do simples “fruir cultura”, mas também de formar praticantes culturais, articulando “educação, cultura, cidadania e produção cultural” (p.179). Conceitos e métodos que o autor define. Democratização cultural: é entendida como um movimento de cima para baixo capaz de disseminar, a um número cada vez maior de indivíduos, essa herança feita de práticas e representações que, pela sua universalidade, compõem um valor maior em nome do qual se formulam as políticas públicas na área da cultura. |
Democracia cultural: pressupõe a existência de públicos diversos – não de um público, único e homogêneo. Pressupõe também a inexistência de um paradigma único para a legitimação das práticas culturais. E se apóia nos novos estudos que procuram ultrapassar a consideração das variáveis como classe, renda, faixa etária e localização domiciliar como as únicas relevantes para um maior ou menor consumo de natureza cultural.
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TEORIAS E POLÍTICAS DA CULTURA: Aqui.
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