sexta-feira, 9 de setembro de 2011

chove chuva na terra da enchente de chopp...

"A enchente durou três meses. Ninguém esperava por ela. Foi uma visita inconveniente, Testemunha de Jeová batendo palmas em frente à casa às oito da manhã de um domingo. Cada metro a mais de água era tido como o último metro a mais. Aguardo, garganta sedenta, recebia sobre si litros de água descidos das nuvens. (...)"
Trecho de AGUARDO, Gregory Haertel

Não dá mais. Sem considerar o impacto humano na ocupação do espaço e a especulação imobiliária, a mais perversa de todas as conseqüências dessa ação numa cidade; sem a realização de investimentos na produção de infra-estrutura necessária para o futuro deslocamento da cidade para o Norte; sem a produção de uma Defesa Civil e uma sociedade preparada que incorporem a dimensão ambiental/desastre em sua Cultura, de maneira criativa; e sem a participação social para a produção de instrumentos legais mais capazes de enfrentar os dilemas do nosso tempo – que vão desde a violência, mobilidade urbana, inovação, incremento do desenvolvimento humano, enfrentamento dos “desastres naturais” etc. -, estamos fadados a repetir o já enfadonho “somos empreendedores, vamos superar”.


Claro que nem metade de todos os problemas sociais, econômicos, ambientais e culturais passam somente pelos tais SE de acima. A coisa é mais complexa e multidimensional. Eles cabem aqui nesta paranóia porque fomos novamente abalados, com menos de 03 anos de intervalo, por um grande desastre "natural". 


Mas a pauta precisa ser construída. Qual a AGENDA dos movimentos sociais e das pessoas interessadas no tema transformação? Que cidade se projeta para o futuro? Para quem? Quando o assunto são as maneiras de mitigar os impactos humanos e materiais desses desastres, que há de acúmulo? O que precisa ser superado? São 160 anos de ocupação capitalística da região; são 160 anos marcados por grandes, médias e pequenas enchentes ou deslizamentos. A Blumenau de 2050, norteada pela instrumentalidade econômica, não define concretamente marcos éticos e sustentáveis para reinventar a cidade e a região. Há 160, da Floresta, foi surgindo uma cidade. Talvez seja a nossa hora de ocuparmos esta “selva” contemporânea lotada de contradições e dilemas.


É um momento triste, mas oportuno para trazer a necessidade da participação social na construção de outra cidade, com uma nova perspectiva para as relações integrais/sistêmicas que representam a interação humanidade-natureza. O governo deve abrir-se.

Por sorte, ficamos apenas com perdas materiais. Mas como a História demonstra, nem sempre é assim. Aliás, o impacto em cidades do Alto Vale ou de Brusque, foram tão consideráveis quanto 1984 representava. Sorte, porque se dependêssemos do planejamento urbano governamental de Blumenau...


PS: pós-enchente, recomenda-se a leitura de "AGUARDO", de Gregory Haertel. 

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