"A enchente durou três meses. Ninguém esperava por ela. Foi uma visita inconveniente, Testemunha de Jeová batendo palmas em frente à casa às oito da manhã de um domingo. Cada metro a mais de água era tido como o último metro a mais. Aguardo, garganta sedenta, recebia sobre si litros de água descidos das nuvens. (...)"
Trecho de AGUARDO, Gregory Haertel
Claro que nem metade de todos os problemas sociais, econômicos, ambientais e culturais passam somente pelos tais SE de acima. A coisa é mais complexa e multidimensional. Eles cabem aqui nesta paranóia porque fomos novamente abalados, com menos de 03 anos de intervalo, por um grande desastre "natural".
Mas a pauta precisa ser construída. Qual a AGENDA dos movimentos sociais e das pessoas interessadas no tema transformação? Que cidade se projeta para o futuro? Para quem? Quando o assunto são as maneiras de mitigar os impactos humanos e materiais desses desastres, que há de acúmulo? O que precisa ser superado? São 160 anos de ocupação capitalística da região; são 160 anos marcados por grandes, médias e pequenas enchentes ou deslizamentos. A Blumenau de 2050, norteada pela instrumentalidade econômica, não define concretamente marcos éticos e sustentáveis para reinventar a cidade e a região. Há 160, da Floresta, foi surgindo uma cidade. Talvez seja a nossa hora de ocuparmos esta “selva” contemporânea lotada de contradições e dilemas.
É um momento triste, mas oportuno para trazer a necessidade da participação social na construção de outra cidade, com uma nova perspectiva para as relações integrais/sistêmicas que representam a interação humanidade-natureza. O governo deve abrir-se.
Por sorte, ficamos apenas com perdas materiais. Mas como a História demonstra, nem sempre é assim. Aliás, o impacto em cidades do Alto Vale ou de Brusque, foram tão consideráveis quanto 1984 representava. Sorte, porque se dependêssemos do planejamento urbano governamental de Blumenau...
PS: pós-enchente, recomenda-se a leitura de "AGUARDO", de Gregory Haertel.
PS: pós-enchente, recomenda-se a leitura de "AGUARDO", de Gregory Haertel.
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