Mike Davis, historiador
e economista, autor de Planeta Favela (Boitempo,
2006), Apologia dos bárbaros: ensaios sobre o império (Boitempo,
2008) eCidade de Quartzo: escavando o futuro em Los Angeles (Boitempo,
2009) nos enviou texto exclusivo sobre o movimento Occupy Wall Street (Ocupe
Wall Street), que segue abaixo em tradução de Rogério
Bettoni. Ao fim do texto, o original em inglês.
***
Quem poderia prever que o Occupy Wall Street e
sua proliferação ao estilo de uma planta selvagem aconteceriam em cidades
grandes e pequenas? John Carpenter previu. Há quase 25 anos (1988), o mestre do
terror (Halloween, A coisa)
escreveu e dirigiu They Live [“Eles vivem”, no Brasil],
retratando a Era Reagan como uma catastrófica invasão alienígena. O filme
continua sendo seutour de force. Aliás, quem
poderia esquecer das primeiras cenas brilhantes em que uma grande periferia
terceiro-mundista é mostrada ao longo de uma autoestrada e refletida pelos
arranha-céus espelhados de Bunker Hill, em Los Angeles? Ou da maneira como
Carpenter retrata banqueiros milionários e ricos midiocratas dominando a
pulverizada classe trabalhadora dos Estados Unidos, que vive em barracas numa
encosta cheia de entulhos e implora por trabalhos casuais?
Partindo dessa
igualdade negativa entre falta de moradia e desesperança, e graças aos óculos
escuros mágicos encontrados pelo enigmático “Nada” (interpretado por Kurt
Russell), o proletariado finalmente alcança a unidade inter-racial, não se
deixa enganar pelas fraudes subliminares do capitalismo e fica furioso,
extremamente furioso. Sim, eu sei, estou adiantando as coisas. O movimento
“Occupy the World” ainda procura seus óculos mágicos (programa, demandas,
estratégia e assim por diante), e sua fúria permanece baixa, em estado
gandhiano.
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