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| Panteão de Heróis blumenauenses. |
Muita gente, legitimamente, concorda com os vereadores. Os Edis
representam, neste caso, a voz de uma parcela da população blumenauense que encara a vida de maneira
unidimensional: só existe a base material, o resto é resto! Isto é, vive-se o mundo pensando primeiro com o bolso. Experimenta-se o
mundo de maneira imediata, pois o bolso é um indicador imediato de nossa
existência.
O bolso representa uma metáfora para o dinheiro e a economia. É a maneira
hegemônica de viver no mundo, hoje. É fato! É um modo de experimentar a
existência em termos funcionais: toda ação espera uma retribuição. E volto a
afirmar: uma maneira legitima de seguir a vida, mas que não capta toda a
complexidade política, social, ambiental e cultural que vivemos agora. Já
perceberam a velocidade das mudanças? Pois é, mas o problema não está na velocidade, mas na
falta de direção e da falta de tato para sentir o chão que pisamos. Somos a geração da superabundância, do espetáculo e do
star-system. É legitimo agir com certo cinismo enquanto resposta a falta de
direção, como fizeram os Vereadores acima citados. Agora, se isso é sustentável e
vai acalentar o futuro, são outras conversas. Isto é, precisamos dar um salto dialético em nosso pensamento e agir no mundo, mas o indicador bolso não é dialético, é conservador, funcionalista e unidimensional.
Pensar unicamente a partir do bolso emburrece, tornando a sociedade
catatônica para os seus reais e grandes dilemas, que são de base política, filosófica e cultural, portanto,
não captadas pelo Indicador Bolso. Mesmo que o mundo pareça tão somente aquilo que rodeia o umbigo de cada um, e tudo o que de mais importante
que aconteça na nossa vida individual esteja aqui, no território local, os
mesmo dilemas políticos, filosóficos e culturais espiralam por aqui. O tempo da
Vila de Blumenau já passou.
Viver a partir do Bolso não mata e até traz uma pseudo-sensação de
segurança. E é um estilo de vida legítimo, ainda, reforçando. Mas não é mais
suficiente viver desta maneira, num planeta com mais de 7 bilhões de pessoas,
em seu limite e transbordando de desafios. O
grande problema, relembrando, é que o indivíduo que vive a partir do ‘indicador
bolso’ não capta a complexidade da vida nem as reais necessidades de mudanças
de rumo.
O Comitê nem é lá tão revolucionário. Se sua existência é relevante ou
não, vai ser possível verificar através da produção de sua história, feita de pessoas e idéias. Mas é um bom exemplo de Governança,
com a participação de inúmeros segmentos da sociedade, em torno de um dilema
central da própria sociedade. Não nasceu pronto, está
em produção/transformação. É uma experiência viva e, talvez, ate democrática. Talvez sua
importância fique nisso, neste exemplo de governança, pois suas ações práticas
pouco são sentidas pela sociedade, ainda. Está no campo da possibilidade
objetiva.
E as moções não são nada demais (a Ásia está cheia e os/as asiáticos/as não gostam nenhum
pouco). A vingança dos vereadores não altera em nada a rotina do Comitê, nem a
rotina da cidade. É quase uma falsa polêmica. Mas é simbólico. Começa sempre por isso, quando um livro é
atirado à fogueira, um toque de recolher (acolher) enquadrado aqui e, quando
vemos, estão em nosso jardim...

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