terça-feira, 1 de novembro de 2011

V de Vingança, mas também de Vereador.


Panteão de Heróis blumenauenses.
Os Vereadores Fábio Fiedler, Marcelo Schrubbe, Veneza, Zeca Bombeiro, Deusdith, José Marçal prota(agonizaram) uma situação marcante: fizeram beicinho na Câmara de Vereadores. Vingaram-se! Disseram não a Moção em Homenagem ao Comitê da Bacia do Itajaí. Foi um "somos contra o conhecimento que gera opinião contrária". Vingaram-se porque em muitos momentos, os vereadores são obrigados a acatar o veto vindo do Comitê.

Muita gente, legitimamente, concorda com os vereadores. Os Edis representam, neste caso, a voz de uma parcela da população blumenauense que encara a vida de maneira unidimensional: só existe a base material, o resto é resto! Isto é, vive-se o mundo pensando primeiro com o bolso. Experimenta-se o mundo de maneira imediata, pois o bolso é um indicador imediato de nossa existência.

O bolso representa uma metáfora para o dinheiro e a economia. É a maneira hegemônica de viver no mundo, hoje. É fato! É um modo de experimentar a existência em termos funcionais: toda ação espera uma retribuição. E volto a afirmar: uma maneira legitima de seguir a vida, mas que não capta toda a complexidade política, social, ambiental e cultural que vivemos agora. Já perceberam a velocidade das mudanças? Pois é, mas o problema não está na velocidade, mas na falta de direção e da falta de tato para sentir o chão que pisamos. Somos a geração da superabundância, do espetáculo e do star-system. É legitimo agir com certo cinismo enquanto resposta a falta de direção, como fizeram os Vereadores acima citados. Agora, se isso é sustentável e vai acalentar o futuro, são outras conversas. Isto é, precisamos dar um salto dialético em nosso pensamento e agir no mundo, mas o indicador bolso não é dialético, é conservador, funcionalista e unidimensional.

Pensar unicamente a partir do bolso emburrece, tornando a sociedade catatônica para os seus reais e grandes dilemas, que são de base política, filosófica e cultural, portanto, não captadas pelo Indicador Bolso. Mesmo que o mundo pareça tão  somente aquilo que rodeia o umbigo de cada um, e tudo o que de mais importante que aconteça na nossa vida individual esteja aqui, no território local, os mesmo dilemas políticos, filosóficos e culturais espiralam por aqui. O tempo da Vila de Blumenau já passou.

Viver a partir do Bolso não mata e até traz uma pseudo-sensação de segurança. E é um estilo de vida legítimo, ainda, reforçando. Mas não é mais suficiente viver desta maneira, num planeta com mais de 7 bilhões de pessoas, em seu limite e transbordando de desafios. O grande problema, relembrando, é que o indivíduo que vive a partir do ‘indicador bolso’ não capta a complexidade da vida nem as reais necessidades de mudanças de rumo.


O Comitê nem é lá tão revolucionário. Se sua existência é relevante ou não, vai ser possível verificar através da produção de sua história, feita de pessoas e idéias. Mas é um bom exemplo de Governança, com a participação de inúmeros segmentos da sociedade, em torno de um dilema central da própria sociedade. Não nasceu pronto, está em produção/transformação. É uma experiência viva e, talvez, ate democrática. Talvez sua importância fique nisso, neste exemplo de governança, pois suas ações práticas pouco são sentidas pela sociedade, ainda. Está no campo da possibilidade objetiva.


E as moções não são nada demais (a Ásia está cheia e os/as asiáticos/as não gostam nenhum pouco). A vingança dos vereadores não altera em nada a rotina do Comitê, nem a rotina da cidade. É quase uma falsa polêmica. Mas é simbólico. Começa sempre por isso, quando um livro é atirado à fogueira, um toque de recolher (acolher) enquadrado aqui e, quando vemos, estão em nosso jardim...

Nenhum comentário:

Postar um comentário