Uma hora de trânsito parado em Blumenau não é novidade. Mas só enche o saco quando tem gente chata protestando.
| Crédito: Jaime Batista |
Quando dizem que um direito de ir e vir foi negado, esquece-se
que passagem de transporte coletivo a R$ 2,90 NEGA o direito de muita gente
deslocar-se no espaço. É quase um apartheid,
porque representa R$ 5,80 por pessoa. Não é retórica, nem achismo. É um fenômeno concreto,
real. Quem diz que um direito foi negado, ao afirmar-se outro direito, imagina
muita gente espumando de raiva. Mas em cada ponto de ônibus que passamos,
aplausos. E eram trabalhadores e trabalhadoras que, assim como os motorizados, também
estavam perdendo a novela das 07! Meus
pais viveram num tempo em que transporte era privilégio. Devido a isso, e
entre outras coisas, eles estudaram somente até a 4ª série (escolas ficavam horrivelmente longe). Hoje, muita coisa
mudou não porque caiu do céu, mas porque foram defesas e lutas que se transformaram
em direito coletivo.
O preço de R$ 2,90 (R$ 5,80 diários) é um ataque direto ao
direito/obrigação dos Governos ao transporte coletivo, porque incentiva diretamente o uso individual
do automóvel. Danem-se, neste momento, os libertários anti-governo blá blá blá. Não moramos nos EUA, nem na Inglaterra. Moramos na América Latina, politicamente constituída em outras bases, em que o Governo é um poder moderador contra os abusos de nossas elites "inginorantes" da Casa Grande e Senzala. SE algum dia deixaremos de ter Governos e nos aventuraremos em outras maneiras de organização, não vai ser hoje, nem amanhã, nem daqui os próximos dez anos. Enquanto isso, necessidades imediatas precisam ser enfrentadas, pois senão quem vai limpar a casa da dondoca?
Em relação ao Transporte Coletivo, não temos ciclovias, nem transporte alternativo. Automóvel nunca foi e nem é direito, apenas privilégio para quem dispõe de recursos para possuí-lo. Não é só culpa de governos que a Educação, por exemplo, no Brasil vá mal. Um automóvel custa mensalmente muitos cursos e formações técnicas. Mas o bem material antes da minhas capacidades. Os automóveis representam uma praga, que mata milhões de pessoas em uma década, polui o ambiente, fomente indústrias com instintos assassinos. Quem não conhece alguém que já morreu por causa de um acidente de Trânsito? Aliás, a quantidade de automóveis em Blumenau faz o transito ficar parado todos os dias, menos sábado e domingo. Porque ninguém faz beicinho com a falta de planejamento municipal, visando a livre circulação de pessoas e mercadorias? Quer dizer que trânsito parado, todo dia, sem gente protestando envolvida, é sinônimo de super tranqüilo, no stress? E cadê os Indignados com a Corrupção? Pois é, indústria automobilista e empreiteiras (dessas que constroem estradas a usinas) são grandes pagadoras de uma coisa chamada “briberization”.
Em relação ao Transporte Coletivo, não temos ciclovias, nem transporte alternativo. Automóvel nunca foi e nem é direito, apenas privilégio para quem dispõe de recursos para possuí-lo. Não é só culpa de governos que a Educação, por exemplo, no Brasil vá mal. Um automóvel custa mensalmente muitos cursos e formações técnicas. Mas o bem material antes da minhas capacidades. Os automóveis representam uma praga, que mata milhões de pessoas em uma década, polui o ambiente, fomente indústrias com instintos assassinos. Quem não conhece alguém que já morreu por causa de um acidente de Trânsito? Aliás, a quantidade de automóveis em Blumenau faz o transito ficar parado todos os dias, menos sábado e domingo. Porque ninguém faz beicinho com a falta de planejamento municipal, visando a livre circulação de pessoas e mercadorias? Quer dizer que trânsito parado, todo dia, sem gente protestando envolvida, é sinônimo de super tranqüilo, no stress? E cadê os Indignados com a Corrupção? Pois é, indústria automobilista e empreiteiras (dessas que constroem estradas a usinas) são grandes pagadoras de uma coisa chamada “briberization”.
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| Fonte: Jornal de Santa - Junho de 2010 |
Os governos, por sua vez, abrem mão dos serviços de
transporte. Repassam a iniciativa privada, que se contenta apenas com muito
lucro, ignorando que se trata de uma concessão. Existe um discurso fácil, aceito pela maioria, de que iniciativa privada é sinônimo de qualidade. Diz a piada: "Aproveita e pede um Pônei". O que se vê, no geral, é o ataque ao bolso do cidadão, da cidadã, em troca de um suposto serviço de qualidade (Foz do Brasil, numa obra em bairro Blumenau, teve que refazer 17% da obra, porque fez errada; Os serviços de telecomunicação, no Brasil, super fácil adquirir telefone, falar já é difícil).Muitas cidades descobriram, coletivamente,
estratégias criativas para lidar com este problema, barateando as tarifas. Sugiro
pesquisar sobre consórcios intermunicipais. Porque não constituir uma empresa
mista de transporte coletivo? Como no caso dos aeroportos, em que o governo
ainda tem condições de dar pitaco final. No nosso caso, Blumenau, alguma coisa deve estar muito errada na concessão. Tarifa Zero?
Algo muito bacana, da mobilização, ainda, foi a pouca
presença de militantes políticos profissionais, porque eles estão brabinhos, de
beiçinho com o caso do aumento dos salários desses privilegiados senhores e
senhoras. Foi sangue jovem, com muita emoção e acreditando plenamente que algo
está errado nessa Democracia. No mundo da falta de utopia, do prozac, dos
babões na frente da TV, gente jovem deveria entender e compreender a importância
disso.
Por fim, a qualidade do transporte público é risível. Lotados,
sem ar condicionado, sem wi-fi
(Gaspar tem!), número de linhas insuficientes, horários desequilibrados, e muitas
outras coisas. Eu não estou na Somália, com todo respeito aos somalis. Estou na
loira Blumenau, blá blá blá da qualidade de vida.


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