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terça-feira, 26 de outubro de 2010

A CIDADE E OS AVATARES DA CULTURA.

COMPARTILHANDO UM FICHAMENTO DE CITAÇÕES QUE ESTOU USANDO NAS LEITURAS PARA A DISSERTAÇÃO!

COELHO, Teixeira. A Cidade e os Avatares da Cultura. In: A Cultura pela cidade. São Paulo: Iluminuras & Observatório Itaú Cultural, 2008, pp.63-68.

A cidade deixou de ser uma inevitabilidade. As idéias e teorias do Direito à Cidade não são realidades para a grande maioria do planeta e, no entanto, já existem outras plataformas políticas sobre a cidade, situada em nível de qualidade diverso e mais elevada, demandando novas realidades, com base multicultural e democrática. Como atender as reivindicações dos grupos sociais e culturais? (p.65)
Cultura e Economia ocupam hoje uma mesma plataforma e a segunda é a tradução da primeira em termos materiais assim como a primeira não deixa sob aspecto algum de ser conseqüência da segunda. (p.64)
Lugares que a política cultural assumiu contornos claros e existência própria, legal e como disciplina do conhecimento como a França, deixaram evidente o poder da cultura como aglutinador e propulsor do desenvolvimento material e humano da sociedade. (p.64)
No Brasil, mais pessoas vivem da cultura do que do setor automobilístico; mas é o segundo que ganha mais apoio e incentivo. Em Nova York, 8% das pessoas vivem da cultura e das artes. Nos EUA, em 1996, a soma total do produto cultural correspondeu ao primeiro lugar da lista dos componentes do PIB. No caso de Nova York, são esses 8% que constroem a imagem da cidade. E a imagem é de ser capital da cultura. Isso atrai recursos e pessoas para a cidade, pessoas e recursos que por sua vez aumentarão o capital cultural da cidade, num circulo virtuoso. A cultura é um imã para o turismo e para os jovens que querem começar suas vidas num ambiente agitado e agitador. É também um imã para as empresas inter ou multinacionais que, na medida do possível, esperam combinar facilidades econômicas de produção com ambiente local estimulante. (p.65)
Cultura é também, como propõe Anthony Giddens, responsabilidade individual reforçada. Cultura é, também, como sugere Canclini, cidadãos organizados em rede e participando daquilo que é oferecido. Trata-se, então, de encontrar a maneira de traduzir em ações essas possibilidades, demandas e responsabilidades. (p.66)
O perigo é transformar a cultura em serviço. Este talvez é o maior desafio que espera todos aqueles que com  justa razão pretendem dar à cultura um novo papel na governança primeiro local, depois global. A cultura foi e continua sendo usado tanto por religiões quanto por ideologias. Depois, a cultura se transformou em uma commodity, e agora o perigo é a sua transformação em serviço. Observa-se a afirmação de um processo de domesticação da cultura que só encontra equivalente nos períodos ditatoriais espalhados ao longo do século 20, e se passa despercebido, é porque assume uma natureza soft e está sendo promovido por intelectuais e universidades. Esse processo de domesticação traduziu-se em fazer da cultura um meio de promoção de diversas e novas palavras de ordens sociais, (...) todas essas são equações que traduzem aspirações dignas da espécie humana mas que não podem, para conseguir seus objetivos, promover uma redução da cultura e das artes à condição de instrumentos manipuláveis de gestores e planejadores. (p.67/68).

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Ação Cultural.

Para Teixeira Coelho (Dicionário Crítico de Política Cultural), a Ação Cultural é o processo de criação ou organização das condições necessárias para que as pessoas, os grupos e as comunidades inventem seus próprios fins no universo da Cultura. Este conjunto de procedimentos em ação visa por em práticas os objetivos da política cultural.

Por isso, Ação Cultural é um instrumento de execução de políticas culturais, que mobiliza agentes culturais para atuarem dentro do Sistema de Produção Cultural, isto é, nas esferas da produção, distribuição, troca e uso. É possível identificar a ação cultural segundo seus objetivos:

AÇÃO CULTURAL DE CRIAÇÃO (ação sociocultural ou ação cultural propriamente dita): visa atacar frontalmente a incomunicabilidade social agravada em nossa época de Indústria Cultural e Mídias de Massa. Esses ataques pretendem criar as condições para que uma pessoa, um grupo, uma comunidade possa exprimir-se em todos os aspectos da vida social, refletindo sobre a obra, sobre sua condição de pessoa e de membro de uma sociedade. Esta modalidade de ação cultural trabalha com a dimensão criativa das pessoas (p.33), mas não apenas instrumentalizando as pessoas para “fruírem” uma obra artística, mas sensibilizando-as para relacionarem esta obra com a própria dinâmica da vida contemporânea. Suas ferramentas devem fomentar múltiplas interpretações acerca do mundo, estimulando diálogos (p.34). Suas diretrizes devem ser plurais, com co-produção de múltiplos atores sociais e sem a petulância de consensos tecnocráticos.

AÇÃO CULTURAL DE SERVIÇOS: forma de animação cultural que lança mão de diferentes formas de relações públicas e propaganda para vender ou aproximar um produto cultural a um determinado público. (p.33)