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domingo, 7 de abril de 2013

Porque amar raso se você pode e de ir adiante?


I
As religiões, na contemporaneidade, não estão sensibilizadas o suficiente para pluralidade humana possível neste planeta natural e cultural. Ao menor sinal de descontrole nas rédeas do poder religioso-comunitário, evoca-se o apocalipse, isto é, o “suicídio” coletivo de todos e todas. Cai-se na barbárie do sangue jorrando e das perseguições. Os líderes religiosos ambicionam ser um dos “anjos” com trombetas. Pré-disposição à destruição, combina bastante com o Capitalismo. E se for filmado, então! Por fim, Dominação econômica e ditadura midiática-fetichista formam um colchão para a proliferação de pessimistas apocalípticos. Toda e qualquer revolução é desviante, seja na dimensão individual ou coletiva. Qualquer ação não prescrita bem anteriormente tem efeito anti-biblico.

II
Não há nada de bom na vida, apenas pecados a desviar. Se algo bom existir, não será neste mundo. Todas as delícias da vida são apenas ironias divinas. Apenas amor raso, disciplina dos sentidos, e submissão. Não ao próprio Deus ou Deuses, mas a homens que se supõem mediadores. O Reino dos Céus na Terra, isto é, aquilo que virá, tornou-se aquilo que foi, pois válido apenas o que impresso em livros sagrados escritos por homens. Nas igrejas contemporâneas, não existe futuro. Há apenas passado. O presente é expiação de pecados. Salvação individual em meio ao sentimento comunitário induzido por lideranças, esses novos monarquistas a esperarem o beijo de seus súditos nos seus anéis. Enriquecer individualmente, pois é a única recompensa divina para esta vida terrena. TVs 3D para melhor orar. Ou, então, pregar a pobreza, enquanto os líderes monarquistas defecam ouro.

III
É fundamental o papel do Capitalismo e da Ditadura Midiática-Fetichista, pois eles aceleram o desenvolvimento da submissão – através da flexibilização e relativização de direitos básicos sociais, econômicos e culturais– e da proliferação de estereótipos rasos do Outro numa mídia dita global, mas provinciana e antropocêntrica, pois oligárquica, que propõe a redução da reflexão e do olhar crítico. É o pano de fundo perfeito para que o pessimismo do “aqui e agora neste mundo” verta como temporal caído céu.  E proteger-se do Outro, porque, num mundo assim, o problema é a existência do Outro, que também pode ser rotulado de infiel ou pecador. Ou a sua conversão (e constante vigilância posterior) ou sua perseguição.

IV
Como acreditar em instituições humanas que ao sinal da diferença ou de problemas estruturais do planeta correm para um salão orar, a bater no peito pelo final dos tempos? O fim é inevitável e por isso mesmo, vamos comprar automóveis! Nunca existiram tantos recursos – dinheiro, inteligência, tecnologia, em especial – disponíveis para transformar o mundo conforme utopias mais progressistas e espiritualizadas. Mas utopia é amante do Diabo. E a espiritualidade, essa consciência mágica de se sentir honrado pelas “dores e delícias” da vida, não cabe nas vontades monárquicas dos líderes ditos religiosos.  Num mundo assim, a carga religiosa é a fluoxetina das massas, e a cocaína das lideranças. Enquanto limita a Ética ao que dizem as páginas de textos “sagrados” e não aquilo que uma pessoa poderia produzir na condição de reflexão e práxis de mundo, reforçando uma lógica chapada, suas lideranças, estimuladas pelo pano de fundo da realidade capitalista midiática, erguem ou  marcam muros.  O universo cosmopolita espiritualizado do ecumênico é negado. Muros para dividir, muros para aprisionar.

V
A Barbárie sempre flertou com o Apocalipse. Temos que romper com isso.  Temos que romper com este imperativo religioso de que a libertação se dá na dor e na submissão. Temos que mostrar possíveis, a existência de pessoas espiritualizadas, éticas, abandonando pretensões imperialistas, de imposição de um ponto de visto histórico do passado. Não é preciso um mundo Ateu, assim, à toa com o que não é Racional. Nem é preciso fechar-se em verdades petrificadas. O que é profano pecado, em dias atuais de superabundância? A desigualdade na distribuição das riquezas ao nosso redor ou a união civil entre pessoas do mesmo sexo? As famílias estão em crise por causa de minorias sociais ou em razão dela própria ser histórica? Até duzentos anos atrás, as crianças não existiam e as relações eram estabelecidas a partir de influencias políticas, econômicas e militares ou dotes. Hoje, mudou. Foi para pior? Não estaríamos no meio do furação da história observando essas melhorias serem resignificadas, com a ampliação positiva do que é uma família? Ou é tudo e apenas sangue? Quer dizer, os piores canalhas da história tinham razão, então?

VI
Porque amar raso se você pode e de ir adiante? Vivas aos espiritualizados, humanista e religiosos que brindam a vida! Esta vida! Seja amor, não rancor. Em última instância, quem julga "é o céu", não os terrenos. Estes, pré-julgam. Preconceito.

VII
Como republicano, não defenderei privilégios, mas sim, direitos. Inclusive e especialmente os relacionados a crenças religiosas. Mas não sou republicano tolo, e não acredito no Todo. Ninguém fala por todos. E quando uma força religiosa for imperialista, e advogar a fala por todos, ou defender a implantação de um reino dos céus na Terra, edificados a partir de páginas de sangue e escravidão, renegando Direitos e implantando privilégios e exceções, estarei agindo em torno do bom senso, tentando diálogos, refletindo.  É um papel histórico de minha parte. Um Estado Laico não se choca com a pluralidade religiosa. Já o oposto, é possível?

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Aproveite e assista a animação: A Loja dos Suicídios.
Gênero: Animação, Musical, Comédia
Diretor: Patrice Leconte
Duração: 79 minutos
Ano de Lançamento: 2012
País de Origem: França, Canadá, Bélgica
Idioma do Áudio: Francês

sexta-feira, 22 de julho de 2011

o capitalismo lucra com o politicamente incorreto.

Depois da agressão física contra pai e filho que estavam abraçados, confundidos com um casal gay, fato que aconteceu nesta semana que passou, fica claro que a cabeça de um debilóide agressor não é capaz de fazer distinções, e a violência pode chegar a qualquer um que não for Chuck Norris, Jean Claude Van Dame ou Arnold Schwarzenegger.A própria resposta à la Bolsorano dos agressores é muito reveladora: eles se confundiram e não são homofóbicos. (Aqui, interessante infográfico sobre crimes de ódio, no Brasil).

A absolvição de Jair “Fascista” Bolsonaro na Câmara dos Deputados abriu precedentes para que respostas assim surjam aos rodos. Não é homofobia, é “liberdade de expressão”.

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Direitos Humanos custam caro para políticos e para o capitalismo. Para os primeiros, a religião e a mídia tornaram-se grandes negócios. Justamente numa época em que religião, economia e mídia sem confundem. O que os evangélicos e cristãos não percebem é que sua representação política é desvirtuada em nome de arroubos individuais e interesses políticos escusos, ‘muy’ comum em Brasília. Daí, a grande vociferação contra gays e minorias: é o pão e circo para seus fiéis, o tal do mostrar serviço, prestando um desserviço (não imagino o Bom Senhor se importando com a maneira pela qual as pessoas se ligam afetivamente umas às outras).


Para capitalistas, igualdade salarial entre homens e mulheres é quebrar lucros recordes (vide o bom filme Made in Dagenham). Por isso, lançam mão de uma estratégia ambígua: lucrar com gays e suas festas, turismo e paradas, mas ao mesmo tempo financiar políticos e empresários de qualquer país, em qualquer dos cincos continentes, contra estes mesmos direitos: e não só de gays, mas mulheres, negros, minorias étnicas, camponeses, comunidades tradicionais etc.

É cômodo para o capital deixar que outros façam seu trabalho sujo. As próximas décadas serão marcadas por conflitos de base comportamental. Esses conflitos servirão para aumentar a produtividade, competitividade dos empreendimentos capitalísticos, baixando custos. Neste sentido, cada vez mais o holofote vai ser direcionado para "a grande conspiração internacional atéia e gay". Enquanto isso a luta de classes fica em terceiro plano (sim, sim, porque em segundo plano – mas hoje ocupa o primeiro – temos o espetáculo) e os Direitos Humanos tornam-se chatos (quem já não ouviu algo contra o politicamente correto?) e em extinção.
Em nome da acumulação capitalista sem fronteiras, os capitalistas que foram, um dia, vanguarda, aliam-se a segmentos mais retrógrados possíveis, gerando alianças “cataclísmicas”. Militares e Sionistas, em Israel; Neo-evangélicos e extrema direita, nos EUA; Bolsonaros e similares, no Brasil.  

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No fim das contas, sabe qual Distopia pode se concretizar? Aquela dos quadrinhos “V for Vendetta”, de Alan Moore.