Queria, neste texto, enfatizar a importância do Festival Internacional de Teatro Universitário de Blumenau, em sua 23ª edição, um dos maiores do gênero na América Latina, mal conhecido pelos blumenauenses. No ano passado, alguns segmentos culturais se manifestaram contrários a sua ‘bianualidade,’ divulgada pela FURB após verificar que estava difícil continuar com o formato devido aos custos financeiros e as dificuldades de captação de recursos.
No entanto, tenho a impressão que para a comunidade como um todo, com pequenas exceções, o Festival 'não existe', mesmo com suas variações como o Palco Sobre Rodas, que acontece em escolas, praças e centros comunitários.
Mas acho que o assunto não se restringe ao FITUB; tenho certeza de que esse exemplo é só uma amostra do desinteresse geral para com a Cultura. Mas em pleno século XXI?
Já não é hora dos Direitos Culturais estarem nas pautas políticas e, também, das pessoas que vivem aqui neste cidade? Cultura ainda é enxergada, por aqui, como algo elitizado? Ou as massas dispersas aqui por Blumenau em seus muitos e diversos grupos sociais estão satisfeitas com a cristalização da Cultura em folclore estandardizado pela Indústria Cultural e do Turismo?
Até que ponto as pautas culturais levantadas por artistas, produtores culturais e outros interessados é apenas corporativismo dessas pessoas (eu me incluindo nesse lado) ou é efetivamente uma pauta que a própria comunidade reivindica, sentindo na Arte e Cultura como realização da cidadania?
Estas dúvidas têm me acompanhado nesses dias em que montamos Associação Blumenauense de Teatro e o Fórum de Políticas Culturais. Estas são organizações sociais que visam disputar espaço nas prioridades orçamentárias da municipalidade e do Estado. São, também, movimentos a serviço da utopia, mesmo que aos trancos e barrancos, demandando maior profissionalismo e militância. Porém, vive e absorve essa contradição.
Mas e a comunidade, anestesiada de programas de “jornalismo” espetaculoso ao meio dia, meios de comunicação monopolizados em torno de duas vozes (canais, no caso), com um governo municipal anti-participação popular, com um sistema de ensino que não prioriza a qualificação intelectual dos seus estudos, uma Universidade destruída por políticas irracionais, e uma Fundação Cultural perdida, sem noção e criatividade alguma?
O que a cidade pensou para receber os artistas, para criar um “clima” de festival na cidade? Nada! Bem vindo pessoas do FITUB? Nada. Ficaram apenas as bandeirolas melancólicas de um verde-amarelo de Copa de Mundo. O festival mobiliza muitas pessoas e pequenos comércios e serviços locais.
Será a “comunidade blumenauense” (isso existe?) feliz apenas com a Oktoberfest e seus desfiles folclóricos? Não haveria prazer ao Sul do mundo, no estranhamento que um filme, um espetáculo, um livro, ou qualquer outro arte-fato criativo humano? Nada disso é capaz de preencher a orgia fake de um evento emblemático como a “2ª maior festa da cerveja do mundo” e “2ª maior festa depois do carnaval”? Por que suspensórios e saias engomadas, apenas?
Que sujeitos estamos construindo para a o futuro? E outras perguntas;
Existe um público consumidor de cultura em Blumenau? Qual é esse público? Os munícipes acreditam na força da Arte e da Cultura? Ou caminhamos para nos tornar uma cidade 1,99?
Festejemos a realização do FITUB, que seja anual, que a Universidade Regional de Blumenau destitua os “cabeças de planilha” reorganize o Departamento de Promoções Culturais e acredite no festival como um momento de qualificação do capital social e humano de nossa região, um momento para o olhar e a mente, contribuindo para a existência de sujeitos atuantes socialmente.
Que venha o FITUB, que venham os atores/atrizes/grupos e companhias!
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