É um bom debate, e não tem nada haver com o sexo dos anjos. Valorizar a dimensão subjetiva, o que as pessoas pensam sobre sua vida e seu grau de satisfação da vida mostra que o mito do dinheiro e da valorização somente do consumo e das necessidades materiais não corresponde a uma constatação empírica. Isso rebate, também, a voz unilateral de inúmeros economistas que excluem todas as outras dimensões da vida, focando somente no econômico. Tem haver, também, com o paradigma sobre desenvolvimento dominante.
Para mais leitura sobre o assunto, leia Felicidade Interna Bruta e o Butão, publicada aqui neste espaço, há dias atrás.
Para mais leitura sobre o assunto, leia Felicidade Interna Bruta e o Butão, publicada aqui neste espaço, há dias atrás.
Compartilho estes dois fichamentos:
GIANNETTI, Eduardo. Felicidade: diálogos sobre o bem-estar na civilização. São Paulo: Cia das Letras, 2002.
Indicadores objetivos e subjetivos de bem-estar
A felicidade sempre foi e continua sendo um grande fim, se não a felicidade suprema, em nome do qual se justificam escolhas na vida pública e privada. Assim como a saúde está para a medicina, o pursuit of happinnes, o bonheur public, a felicitá pubblica seria o objetivo maior frente ao qual toda a maquinaria do processo político, social e econômico constituiria tão-somente um meio adequado e ao qual estaria subordinada.
Uma vez resolvidas certas carências básicas ligadas a bens de primeira necessidade, o desafio da felicidade se torna muito mais uma questão de psicologia e de ética do que propriamente de economia.
O acesso a bens primários traz ganhos líquidos de renda psíquica. Na competição por bens posicionais, ao contrário, os apetites se estendem ao infinito e a escassez está sempre sendo recriada.
A mensagem que a língua cifrada da dor e do prazer físicos nos transmite é inequívoca: a natureza nos quer vivos e dispostos a procriar.
O que torna as pessoas felizes?
Vem sendo realizada coleta sistemática de evidências e dados empíricos sobre as determinantes da felicidade, por diversos ângulos: estudo do que torna certos estados de consciência mais ou menos aprazíveis; a identificação dos fatores pessoais, socioeconômicos e culturais associados a variações de bem-estar subjetivo; e as bases químicas, hormonais e neurobiológicas das experiências mentais e emocionais que levam alguém a se sentir mais ou menos feliz com a vida que tem.
O bem-estar humano abarca dois componentes básicos: uma dimensão objetiva, passível de ser apurada, observada e medida de fora, e que se reflete nas condições de vida registradas por indicadores numéricos e; uma dimensão subjetiva, que é a experiência interna do indivíduo, tudo aquilo que se passa em sua mente.
O grande desafio para quem se propõe a analisar os determinantes da felicidade na vida e convivência humanas é obter informações e dados empíricos confiáveis sobre a dimensão subjetiva do bem-estar. Como saber se as pessoas estão se sentido mais ou menos felizes com a vida? A saída encontrada foi perguntar a elas.
Uma das descobertas: a relação entre os indicadores objetivos e subjetivos de bem-estar está longe de obedecer a um padrão bem-comportado.
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ROJAS, Mariano. El Bienestar Subjetivo em México y sua Relación com Indicadores Objetivos: consideraciones para La política pública.
O propósito da política pública é a busca de um maior bem estar da população. Existem duas dimensões do bem-estar, uma objetiva, outra subjetiva (a felicidade). Empiricamente, uma contribui para validar ou rechaçar a outra.
1 – o enfoque da investigação em questão: o conceito de bem-estar subjetivo é de uso mais recorrente em disciplinas como a sociologia e a psicologia. Este conceito está associado a felicidade ou o nível de satisfação de vida que as pessoas declaram como respostas à perguntas feitas a elas. Diretamente a elas.
Vantagens e peculiaridades do bem estar subjetivo: representa um salto qualitativo. Uma investigação integração da qualidade de vida das pessoas, rompendo com a fragmentação do conhecimento e das disciplinas científicas. A pergunta deve ser diretamente respondida pela pessoa, enaltecendo a subjetividade inerente a seu ser e a qualidade de vida. O bem estar pessoal incorpora, nas respostas das pessoas, todas às vivencias diárias (expectativas, aspirações, condições de vida, percepções e outros).
2 – A informação:
Aplicação de questionário, diretamente na casa das pessoas, em espaços públicos e espaços acadêmicos/de pesquisa. Tomando todo en cuente en sua vida, ¿Que tán feliz es: ( ) muy infeliz; ( ) algo infeliz; ( )ni feliz ni infeliz; ( ) algo feliz; ( )bastante feliz; ( )muy feliz; ( ) extremadamente feliz?
Algumas questões metodológicas interessantes:
Indicadores objetivo não estão estritamente relacionados com o bem estar subjetivo das pessoas. Sobre percepções e condições objetivas – o bem estar subjetivo depende da percepção que a pessoa tem sobre sua posição socioeconômica e da satisfação de suas necessidades materiais. A relação entre a felicidade e a percepção da pessoa sobre sua condição socioeconômica é mais próxima do que a relação entre a felicidade e as condições socioeconômicas objetivas. A pesquisa em questão mostra que 53% das pessoas não se consideram da classe baixa, mesmo que devido as suas condições objetivas de vida ser classificados como pobres.
Nem todos os fatores explicativos do bem estar são igualmente importantes para todas as pessoas, já que sua importância depende da noção de bem estar que cada um tem.
Referente conceitual de felicidade: que se entende por ser feliz? Em que consiste a felicidade? Quais aspirações para ter uma vida considerada satisfeita? Têm todas as pessoas o mesmo referencia? As pessoas avaliam seu bem estar subjetivo com base em sua noção de propósito de vida – referente conceitual da felicidade).
Outra razão: há mais na vida que o nível de vida. Uma pessoa é muito mais que um agente econômico. Sua vida transcorre nos domínios da vida. Essas demarcações são arbitrárias. As pesquisas devem considerar as dimensões desses domínios, contemplando perguntas que possam avaliar essas dimensões (dimensões: saúde; consumo; trabalho; familiar; amizades; pessoal). Cada domínio desses tem um peso específico na pesquisa.
Conclusões: A felicidade de vida é o objetivo final da ação pública:é um equívoco focar somente nas satisfações materiais das pessoas. É errôneo usar unicamente a riqueza como medida do bem estar. Há grandes diferenças entre o que dizem os indicadores objetivos e o que as pessoas percebem como sendo sua condição sócio-econômica. O bem estar subjetivo é mais influenciado pelas percepções do que pelas condições objetivas de posição sócio-econômicas e de satisfação de necessidades materiais. As fontes de bem estar nem sempre são as mesmas para todas as pessoas. Isto porque as pessoas têm diferentes propósitos de vida. As pessoas são mais que somente consumidores.
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