16/06/2011 | N° 12282
ANAMARIA KOVÁCS
Chhhhhhh!
O que é isso, minha gente? Querem transformar Blumenau numa cidade triste? Primeiro, calaram a voz de um sino. Agora, querem silenciar os que se divertem à noite. Não basta a fama que os “alemães” daqui têm de ser um povo fechado, pouco afeito ao contato com os compatriotas? Há quem diga que os blumenauenses só sabem ganhar dinheiro, mas não sabem aproveitá-lo. Compram carros para exibi-los na rua, constroem casas para causar inveja aos outros, mas não investem em lazer e diversão. O mais triste é que é difícil contestar essas críticas.
Até hoje não entendo por que o vizinho da igreja Martin Luther se incomodava tanto com o toque dos sinos. Ele acabou se mudando do local, mas o prejuízo que causou foi muito além do que ele mesmo sonharia, pois sua atitude acabou abrindo o precedente que serve agora a outras pessoas para fechar as portas dos estabelecimentos de lazer.
Por mais de 20 anos morei com meus pais num edifício cujos fundos davam para o ginásio de esportes do Clube Municipal, agremiação dos funcionários públicos da cidade do Rio de Janeiro. Ele foi construído alguns anos depois que nos mudamos para lá. Não tínhamos dinheiro para comprar outro apartamento, por isso fomos ficando. O ginásio do clube era utilizado, durante a semana, para os treinos das equipes esportivas de futsal e basquete. Eles aconteciam à noite, e se estendiam geralmente até pouco depois das 22h. Como eu era criança e o meu quarto o mais próximo da fonte do barulho, começaram ali os meus problemas de insônia. Meses antes do Carnaval, geralmente em novembro, o clube alugava aquele espaço para os ensaios de uma escola de samba. Batucada e cantoria até altas horas... Nos dias de folia, os bailes também eram realizados ali: mais quatro noites em claro... O que fazer? Nada.
Ao que me consta, pelo menos uma das casas noturnas amordaçadas é sucessora de outra que funcionava no mesmo local. Os vizinhos, portanto, estavam cientes do fato e preparados para aguentar os incômodos que uma casa noturna causa ao entorno. Não discuto o direito de uns se divertirem e de outros dormirem o sono dos justos, principalmente se o bar fica em área residencial, mas a configuração da cidade é tal que força essa convivência. No entanto, acredito que o som automotivo no último volume, o alto-falante dos carros de propaganda e os escapamentos abertos das motocicletas incomodam muito mais que as apresentações nas casas noturnas. Mas disso ninguém reclama
Até hoje não entendo por que o vizinho da igreja Martin Luther se incomodava tanto com o toque dos sinos. Ele acabou se mudando do local, mas o prejuízo que causou foi muito além do que ele mesmo sonharia, pois sua atitude acabou abrindo o precedente que serve agora a outras pessoas para fechar as portas dos estabelecimentos de lazer.
Por mais de 20 anos morei com meus pais num edifício cujos fundos davam para o ginásio de esportes do Clube Municipal, agremiação dos funcionários públicos da cidade do Rio de Janeiro. Ele foi construído alguns anos depois que nos mudamos para lá. Não tínhamos dinheiro para comprar outro apartamento, por isso fomos ficando. O ginásio do clube era utilizado, durante a semana, para os treinos das equipes esportivas de futsal e basquete. Eles aconteciam à noite, e se estendiam geralmente até pouco depois das 22h. Como eu era criança e o meu quarto o mais próximo da fonte do barulho, começaram ali os meus problemas de insônia. Meses antes do Carnaval, geralmente em novembro, o clube alugava aquele espaço para os ensaios de uma escola de samba. Batucada e cantoria até altas horas... Nos dias de folia, os bailes também eram realizados ali: mais quatro noites em claro... O que fazer? Nada.
Ao que me consta, pelo menos uma das casas noturnas amordaçadas é sucessora de outra que funcionava no mesmo local. Os vizinhos, portanto, estavam cientes do fato e preparados para aguentar os incômodos que uma casa noturna causa ao entorno. Não discuto o direito de uns se divertirem e de outros dormirem o sono dos justos, principalmente se o bar fica em área residencial, mas a configuração da cidade é tal que força essa convivência. No entanto, acredito que o som automotivo no último volume, o alto-falante dos carros de propaganda e os escapamentos abertos das motocicletas incomodam muito mais que as apresentações nas casas noturnas. Mas disso ninguém reclama
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