1ª PARTE
Ana de Hollanda, no Programa Jô Soares, ao responder pergunta do Jô sobre as dificuldades dos primeiros meses, disse que a cultura “é um trabalho difícil, a gente vai mexer com o trabalho de pessoas com muito ego”. Jô conclui “O Ministério que mais lida com Vaidades”, respondido pela ministra com “Com certeza... com certeza. E você está se expondo, né? Na hora que você é artista, você se expõe também, Então isso tem uma questão. Você não tem um trabalho só na frente pra mostra, você tem você pra mostrar. Então é um pouco natural esse trabalho do ego (risos). E então, eu acho, eu sabia que ia ter que eu ia lidar com essa questão dos interesses e das vontades próprias. Agora, claro, foi um pouco mais violento, mas o exercício da gestão também tem isso, né? (risos)”.
Jô expressa sua indignação com o tratamento recebido pela ministra nos primeiros meses, falando em sabotagem e outras coisas piores até mesmo que o machismo. Confessa que ficou “felicíssimo” com a nomeação de Ana, pois ela é “artista, tem experiência de gestão, sabe o que faz, sabe o que diz”. Depois dessa elegia toda, Jô, num resquício inconsciente de machismo, fala da beleza da ministra e sobre o que será que a mãe dela colocou na mamadeira para Ana numa família como os Buarque, bastante intelectualizada. Uma família com papai, mamãe e uma turma de boêmios, “com gosto pela arte”. Acho que a descrição da ministra sobre sua infância e família cabe bem na típica família burguesa que tinha na arte e na cultura, aspectos de distinção, influenciados pelos ideais eurocêntricos. Ao gosto de Bourdieu.
Sobre o caso Maria Bethânia, Jô, outra vez indignado, diz que ficou sabendo que a cantora abandonou o projeto, “não defendeu o projeto”. A ministra responde que ela foi contemplada e pode utilizar os recursos, mas se ela desistir, “é uma pena”. Aqui, também acho que seja uma pena. O ideal seria rever os valores e torná-los mais éticos. Só isso.
Mas para a ministra, no bas-fond Bethânia, foi “as pessoas que não entenderam. Esse projeto era só para captação, ela vai buscar fora. É só autorização para ela poder captar. Não é dinheiro do Ministério da Cultura”. É muita incompreensão, senhora Ministra! Todo dinheiro que é captado por projetos culturais via renúncia fiscal é DINHEIRO PÚBLICO. Isso qualquer criança do berçário já sabe. Jô Soares vai mais longe. Diz que não é só “incompreensão” é, também, “má-fé”. O apresentador ressalta que “não sai dinheiro do Ministério”. Em que mundo vive essa gente perfumada?
O espetáculo continuou. Jô Soares diz: “Como ela é uma pessoa famosa, é uma grande estrela, é uma grande cantora, e ela diz muito bem poesia, também, as pessoas dizem, ela não precisa disso”. Ana de Hollanda salta da poltrona, pousa a mão no peito e emenda: “mas nós precisamos, nós (risos). Concorda? Nós precisamos ouvir coisa boa, poesia...”. A ministra explica o projeto, sobre como seria bem feito, de longo prazo, gravado ao longo do ano. Mas o melhor ficou para o final dessa questão: Jô Soares, depois de contar uma história sobre dois jovens milionários que assassinaram uma criança para ter uma trip niilista, diz que os “ricos também têm direito de defesa”. Isto é, rigores da leis somente para pobres. Ricos podem cometer excentricidades, pois seu cérebro é tão mais inteligente, que qualquer coisa pode ser defendida.
Para Ana de Hollanda, Maria Bethânia foi condenada. Não, cara ministra. Foram seus valores que foram condenados. De um total de R$ 1 milhão e 300 mil reais, R$ 600 mil ficariam como cachê para a artista. A Lei Rouanet, tem limites quanto a isso. Eu não posso concordar com salários ditados por parâmetros da publicidade. Arte não é a NBA. Nem precisa seguir o padrão Hollywood de cachês.
Para Ana de Hollanda, Maria Bethânia foi condenada. Não, cara ministra. Foram seus valores que foram condenados. De um total de R$ 1 milhão e 300 mil reais, R$ 600 mil ficariam como cachê para a artista. A Lei Rouanet, tem limites quanto a isso. Eu não posso concordar com salários ditados por parâmetros da publicidade. Arte não é a NBA. Nem precisa seguir o padrão Hollywood de cachês.
A grande praia da ministra é a Economia Solidária. Diz ela: “criamos uma nova secretaria, que é da Economia Criativa. Daí a gente começa a ver que tudo é criativo (...) o que faz você se apaixonar pelo carro, pelo sapato, pelas de decoração de casa (...) isso está na indústria criativa. A gente está começando a redimensionar o ministério (...)”.
Em outro momento da entrevista, Jô pergunta a ministra sobre “movimentos sub-reptícios”, sobre o “fogo amigo”. Resposta de Ana: “Sempre existe fogo amigo. A gente trabalha numa área que normal, quer dizer, tem muita gente com muitas expectativas (...). Daí quando chega uma pessoa nova, da uma insegurança geral, as pessoas começam a atacar e ficar com o pé atrás (...)”.
Tiveram no programa, também, provocações indiretas e sub-reptícias ao ex-ministro Gil... Sobre as possibilidades de a ministra se apresentar enquanto ministra, Jô pergunta se seria antiético. “A coisa do artista que tem que se envolver que tem se entregar é pra quem sabe, você sabe o que é se entregar (...)”.
(fim da primeira parte da entrevista)
A segunda parte se preocupa com a infância burguesa da ministra, e depois, o fato de ser mãe e avó. Essas coisas de programas de entrevistas. Ao final da entrevista, ela traz algumas questões sobre políticas culturais, como o Sistema Nacional de Cultura e a necessidade de políticas articuladas entre os entes da federação. Mas, daí... tudo já havia melado no primeiro bloco.
A segunda parte se preocupa com a infância burguesa da ministra, e depois, o fato de ser mãe e avó. Essas coisas de programas de entrevistas. Ao final da entrevista, ela traz algumas questões sobre políticas culturais, como o Sistema Nacional de Cultura e a necessidade de políticas articuladas entre os entes da federação. Mas, daí... tudo já havia melado no primeiro bloco.
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