terça-feira, 9 de agosto de 2011

Minha experiência no ENECULT


A primeira visão que tive de Salvador foi logo após tomar um ônibus do aeroporto em direção ao Hotel, onde me hospedei. Eram aproximadamente 5h30 da manhã e a cidade foi ficando cada vez maior, a escuridão substituída por tons coloridos que me acompanharam no trajeto. Algumas horas depois, eu já estava empolgado, retirando o material da secretaria do evento. E nem menos de cinco minutos de permanência no prédio da Reitoria da UFBA, já começara a fazer camaradinhas, e descobrindo a diversidade de idéias, produções e militâncias presentes no VII ENECULT.
Foi a primeira edição que participei, mas desde algum tempo, o ENECULT é um encontro presente na minha formação pessoal e acadêmica. O Programa Multidisciplinar de Pós Graduação em Cultura e Sociedade, da Universidade Federal da Bahia é hoje uma importante e fundamental referência no campo dos estudos da cultura e suas relações com a experiência social. Agradeço ao Blog do Acesso pela oportunidade de me levar ao coração pulsante deste campo tão diverso.
Aqui de Blumenau, a adrenalina ainda está correndo veloz, meio confusa, diante da experiência tão “multi” e diversa. Isto porque estou escrevendo minha dissertação, pesquisando sobre o processo de agendamento das políticas culturais aqui em minha cidade a partir da conferência municipal de cultura. A troca de olhares sobre o assunto rendeu conversas e notas rabiscadas que agora tento dar refinamento. 
O assunto da participação social na produção e definição de políticas culturais apareceu bastante, em mesas e sessões coordenadas. Mas não foi só isso: teve Arte e a América Latina se fez presente; as cidades e os territórios foram discutidos; o desenvolvimento foi problematizado; Mia Couto trouxe magia; a comunicação e as novas mídias, o direito autoral, o gênero... A cultura como a arena de uma sociedade pluralista, como afirma José Márcio de Barros.
Plural, mas com algumas convergências que senti: de que a cultura é cada vez mais um conceito transversal e central na nossa sociedade ocidental. Lembro de Jameson argumentando que a própria lógica do sistema capitalista, hoje, é cultural. E que isso tem prós e contras. Volto confuso, mas com bons aportes para tentar a articulação complexa entre cultura, política, comunicação, economia e sustentabilidade que as ações militantes e teóricas precisam incorporar em nossa época. A cultura não pode desaparecer diante da burocracia, nem a política cultural confundida apenas com gestão, planos e documentos. Saio do ENECULT e trago para os territórios que compartilho com outros a perspectiva de que as políticas culturais devem ser dinâmicas, vivas, carregando sentidos e acalentando utopias. Por fim, acrescento uma convergência de que a cultura não deve ser pensada como se ainda vivêssemos no século XIX, com a emergência, portanto, de novos sujeitos.
Para terminar, um grande abraço a tanta gente que não consegui me despedir: pessoas de Ribeirão Preto, de Salvador, de João Pessoa, do Rio de janeiro, de Belo Horizonte ...

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