segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Resposta ao Presidente do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau

Jamil, é um bom amigo. Mas por ser participante do segmento e, também, por ter sido conselheiro em 2010, e apreciando um bom diálogo democrático, respondo:

Equivocada a avaliação do presidente do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau, Jamil Dias. Infelizmente, o mesmo limitou sua avaliação posta em sua carta àquilo que quis ver. Sua análise parte do mais fácil: reduzir tudo a uma vingança pessoal. Esta vingança, para contextualizar a todos, foi suposta e malvadamente arquitetada pelo segmento teatral depois que alguns projetos, antes aprovados no Fundo Municipal de Apoio a Cultura 2011, em seguida, foram rejeitados. O motivo da reavaliação foi um pedido no Ministério Público para investigar supostas irregularidades no Edital. Os mais prejudicados foram os proponentes do Teatro.

Jamil Dias desconsidera: que, ao menos, nos últimos cinco anos, o segmento teatral foi o mais atuante nas conferências, debatendo qualificadamente pautas importantes para a agenda municipal de cultura. Isto é, "Teatro" é um dos mais maduros segmentos do campo artístico local, não gente que faz beicinho fácil. Desconsidera que o segmento apresentou diversas propostas, não apenas a modificação no modelo de distribuição de recursos no fundo, que beneficiou a todos os segmentos. Das diversas ações sugeridas, como se pode verificar nos anais, resultou no Plano Municipal de Cultura (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui). Toda uma rica agenda foi desconsiderada, tornada folhas A4.

Responsabilidade com o grupo, presidente, é principio básico no modelo de teatro exercido em Blumenau. Por isso, nem me alongarei nessa acusação.

O que motivou o desinteresse, presidente, deve ser encontrado não em picuinhas e alcovas, mas na inoperância do Conselho (que eu fiz parte, e não me eximo de culpa, apesar da militância durante meu período) diante do caótico desmonte da Fundação Cultural de Blumenau e das políticas e programas do segmento. Dias atrás, ainda, pudemos acompanhar o descaso com o Museu Fritz Mueller, que esteve em pauta e foi objeto de discussão na época de minha participação no conselho. É isto que acontece: o conselho não enfrenta seus desafios, de maneira aberta.  É um exemplo de que reuniões com o prefeito, reuniões para desatar nós com a presidência da Fundação, não foi muito além de uma atuação burocrática, apesar de reconhecer os esforços. Casarão das Oficinas, Escolinha de Artes, Sala Carlos Jardim, Prédio caindo, dificuldades de acessar a secretaria de educação, tantas coisas negativas no currículo, que Sistema Municipal de Cultura representa apenas 20 ml de água numa sede de 03 dias no deserto.

Essa tua carta, para se ter legitimidade para criticar a postura de não-participação (que ainda assim é uma maneira de participar), deveria ter sido precedida por diversas cartas abertas criticando a banalização da política e da gestão cultural durante os últimos 08 anos. Descer o “cacete” em segmento, Ok, mas na administração, só via ofício e gabinete. Por fim, existem diversas maneiras de “ser político”: acredito que é trabalhando, produzindo, dialogando com os públicos, procurando sobreviver, fazer política com sua arte e sua prática, que o segmento teatro escolheu para afirmar-se politicamente. Mas, como deve ser, não "falo" pelo segmento, apenas expresso o pessimisto e a critica de alguns e algumas amigos/as de labuta.

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