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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Resposta ao Presidente do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau

Jamil, é um bom amigo. Mas por ser participante do segmento e, também, por ter sido conselheiro em 2010, e apreciando um bom diálogo democrático, respondo:

Equivocada a avaliação do presidente do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau, Jamil Dias. Infelizmente, o mesmo limitou sua avaliação posta em sua carta àquilo que quis ver. Sua análise parte do mais fácil: reduzir tudo a uma vingança pessoal. Esta vingança, para contextualizar a todos, foi suposta e malvadamente arquitetada pelo segmento teatral depois que alguns projetos, antes aprovados no Fundo Municipal de Apoio a Cultura 2011, em seguida, foram rejeitados. O motivo da reavaliação foi um pedido no Ministério Público para investigar supostas irregularidades no Edital. Os mais prejudicados foram os proponentes do Teatro.

Jamil Dias desconsidera: que, ao menos, nos últimos cinco anos, o segmento teatral foi o mais atuante nas conferências, debatendo qualificadamente pautas importantes para a agenda municipal de cultura. Isto é, "Teatro" é um dos mais maduros segmentos do campo artístico local, não gente que faz beicinho fácil. Desconsidera que o segmento apresentou diversas propostas, não apenas a modificação no modelo de distribuição de recursos no fundo, que beneficiou a todos os segmentos. Das diversas ações sugeridas, como se pode verificar nos anais, resultou no Plano Municipal de Cultura (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui). Toda uma rica agenda foi desconsiderada, tornada folhas A4.

Responsabilidade com o grupo, presidente, é principio básico no modelo de teatro exercido em Blumenau. Por isso, nem me alongarei nessa acusação.

O que motivou o desinteresse, presidente, deve ser encontrado não em picuinhas e alcovas, mas na inoperância do Conselho (que eu fiz parte, e não me eximo de culpa, apesar da militância durante meu período) diante do caótico desmonte da Fundação Cultural de Blumenau e das políticas e programas do segmento. Dias atrás, ainda, pudemos acompanhar o descaso com o Museu Fritz Mueller, que esteve em pauta e foi objeto de discussão na época de minha participação no conselho. É isto que acontece: o conselho não enfrenta seus desafios, de maneira aberta.  É um exemplo de que reuniões com o prefeito, reuniões para desatar nós com a presidência da Fundação, não foi muito além de uma atuação burocrática, apesar de reconhecer os esforços. Casarão das Oficinas, Escolinha de Artes, Sala Carlos Jardim, Prédio caindo, dificuldades de acessar a secretaria de educação, tantas coisas negativas no currículo, que Sistema Municipal de Cultura representa apenas 20 ml de água numa sede de 03 dias no deserto.

Essa tua carta, para se ter legitimidade para criticar a postura de não-participação (que ainda assim é uma maneira de participar), deveria ter sido precedida por diversas cartas abertas criticando a banalização da política e da gestão cultural durante os últimos 08 anos. Descer o “cacete” em segmento, Ok, mas na administração, só via ofício e gabinete. Por fim, existem diversas maneiras de “ser político”: acredito que é trabalhando, produzindo, dialogando com os públicos, procurando sobreviver, fazer política com sua arte e sua prática, que o segmento teatro escolheu para afirmar-se politicamente. Mas, como deve ser, não "falo" pelo segmento, apenas expresso o pessimisto e a critica de alguns e algumas amigos/as de labuta.

Carta aberta do presidente do Conselho Municipal de Cultural e técnico de cultural do Sesc, Jamil Antonio Dias

Fonte: http://wp.clicrbs.com.br/maislazer/2012/02/13/575/?topo=
 
13 de fevereiro de 2012
 
Prezados Teatreiros,
No dia 09 de fevereiro em que convidamos todos para a Setorial de Teatro e Circo, pretendeu-se completar a representatividade da Sociedade Civil junto ao Conselho Municipal de Política Cultural de Blumenau para a gestão 2012-2013 com escolha dos últimos membros a compor o Conselho - os representantes do Teatro e Circo.
Fizemos tudo que era necessário para que vocês pudessem estar presentes; a convocação pelos meios de comunicação, divulgação nas redes sociais; e principalmente o contato pessoal.
Porém, como pode ser possível que para um evento como este, ninguém, além dos conselheiros tenha comparecido!!!!...???...
Podemos levantar várias questões sobre essa omissão; outros compromissos, afazeres profissionais, inércia intelectual de não compreender o papel do conselho.
Quando houve o movimento "Devolva nossos Braços", nós do Conselho consideramos legítima a ação, pois havia ali o desejo de mudança, de contribuir para um novo modo gerir a cultura em Blumenau.
Contudo, era mais utopia que qualquer outra coisa, pois não houve continuidade, houve sim a manutenção de discursos vazios, feitos em alcovas, nas ruelas, restrito aos seus interlocutores.
Mas nós não demos por vencidos e propomos no inicio de 2011 realizamos uma pré-conferência setorial com ampla participação dos teatreiros onde nos foi repassado a necessidade de adequar os valores do fundo a realidade das áreas.
O CMC, sensível a esse pedido, propôs a alteração da forma da divisão dos recursos, atendendo aos anseios.
Na realização da 6°Conferência Municipal, os Teatreiros, outrora ativos combatentes da moralidade da política cultural, timidamente estiveram presentes, sendo que nenhum deles quiseram fazer parte do novo conselho. Já estava ali o sinal sendo dado?
Ao insistirem sobre esse Conselho que se encerra, ser conivente com a gestão da FCBlu , muitas vezes já contestados por nós, o que realmente vocês abraçaram; foi :" as favas se o Conselho diz que não, achamos que sim, ponto final ".
É frustrante ter que escrever a todos sem saber realmente o que fizeram desistir tão fácil.
Diziam-se focados em mudanças, em melhorar, em fortalecer a política cultural do município, mas na hora da oportunidade da ação , vocês omitem, desaparecem, escondem-se no cinismo de suas próprias palavras, no conforto de suas opiniões definidas e exatas.
Ser político, não precisa ser partidário, ser atuante não é simplesmente bater panelas na porta da Fundação, é compreender realmente seu papel como agente modificador do local onde se mora.
Mas isso exige uma coisa, que vocês não têm: responsabilidade com o grupo. Pois tendo seu pedido atendido na pré-conferência na realocação dos valores do fundo, se deram por satisfeitos. Aí, caro Teatreiro não há mais o que fazer.
Mas... ainda prefiro ter a esperança que o novo CMPCBLu gestão 2012-2013 encontre soluções satisfatórias para Teatro e Circo embora todos omitam-se em participar da reconstrução das Políticas Culturais para Blumenau tão ampla e clamorosamente exigidas por este mesmo setor que neste momento da oportunidade, ausenta-se e esconde-se, em difícil e incompreensível silencio.

Jamil Antonio Dias
Presidente do Conselho Municipal de Cultural
Gestão 2011/11

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Homologação do Edital do Fundo Municipal de Apoio à Cultura



A Fundação Cultural de Blumenau, por meio de sua presidente, Marlene Schlindwein, torna pública a homologação do edital nº 004/2011, divulgando os Projetos Culturais Aprovados pelo Fundo Municipal de Apoio à Cultura de Blumenau:
A Fundação Cultural de Blumenau, por meio de sua presidente, Marlene Schlindwein, torna pública a homologação do edital nº 004/2011, divulgando os Projetos Culturais Aprovados pelo Fundo Municipal de Apoio à Cultura de Blumenau: Violão Catarinense - R$ 12.000,00; Redoma de Vidro – R$ 5.560,00; Oficinas de Kunstricken: Tricô 5 Agulhas – R$ 6.000,00; Invisíveis: Culturas e Margens de Blumenau – R$ 9.000,00; Do Fel ao Cio duas décadas do Olhar Feminino sobre o Feminino – R$ 8.000,00; Aquisição Acervo Literário – R$ 10.000,00; Circulação do espetáculo Amar (E Mesmo Assim...) - R$ 10.000,00; Mosaico Contemporâneo na Sociabilidade – R$ 5.692,00; Oficinas de Danças Folclóricas Italianas em escolas públicas – R$ 6.000,00; O Tridimensional: Dimensões para Arte e Educação – R$ 8.000,00; Transmaterialização da Cena – R$ 8.000,00; Ambulante e Desdobrável – R$ 8.000,00; Identidade, Política e Memória do Vale do Itajaí – R$ 8.000,00; Anche Blumenau Danza Italiano – R$ 6.000,00; Dramaturgia de Ator: Recriando Kata – R$ 10.000,00; Arte em Terra de Industria – R$ 9.000,00; 2ª. Mostra de Cinema Infantojuvenil de Blumenau – R$ 10.000,00; rEpaints – R$ 8.000,00; Quatro Encantos: Encontros para Experimentos em Musica – R$ 12.000,00; VI Festival da Cultura Afro-brasileira de Blumenau – R$ 6.000,00; Telomar Florêncio – R$ 8.000,00; Boleros de Papel – R$ 8.000,00; Dois Cavalheiros de Verona - Shakespeare para Crianças e Jovens – R$ 20.000,00; Arte em Toda Parte – R$ 6.992,10; Festival de Cinema de Blumenau – R$ 9.976,00; Dança: Uma Possibilidade de Crescimento Cultural Libertador – R$ 10.000,00; Criação da Dramaturgia do Espetáculo Teatral "Das Águas" – R$ 4.000,00; Compra de Trajes – S.E.R. Itoupava Alta – R$ 5.000,00; 25 Anos do Grupo Folclórico Teutônia – R$ 6.000,00; Sensibilização para a criação e manuseio de formas animadas – R$ 6.000,00; Amanhecer – R$ 12.000,00; Palestra Formas e Estilos na História da Musica – R$ 8.000,00; O Ciclo de Vida da Garrafa Pet – R$ 5.000,00; Enchentes de 1983/1984 28 anos de história que nunca foram apagados... – R$ 8.379,75; “Alegria do Choro - Ao vivo em Blumenau” – R$ 12.000,00; Ê Dim Dim Dôm - É assim que faz o som - R$ 6.000,00; Só pra te contar – R$ 12.000,00; Gira Mundo - Danças circulares e brinquedos cantados – R$ 6.000,00; Trípitico - Vídeoarte – R$ 8.000,00; Nº 072 - Gosto de Sal – R$ 15.000,00; O Papel da Fundação Cultural de Blumenau na Produção e Institucionalização de Políticas Culturais no Município 1972-2010 – R$ 9.000,00; Leitura Lúdica – R$ 6.000,00; Um Show de MPB por John Mueller e Mpbambas – R$ 9.574,00; Fachadas Históricas: A arquitetura viva como você nunca viu – R$ 8.000,00; Contação de História “Es War Einmal” – R$ 5.946,00; Sofia Batuta apresenta: Catarina Maçaroca – R$ 10.000,00; Rose Gaertner - Uma ideia muito louca – R$ 4.000,00; O Meu Surreal - Telomar Florêncio – R$ 15.000,00; Orbis - Duarte Contemporâneo – R$ 15.000,00; Uma Noite em Viena com o Tenor Marcos Liesenberg – R$ 10.000,00; Apresentações do grupo Família Dias nos bairros de Blumenau – R$ 6.000,00; Montagem do espetáculo teatral "Último" – R$ 10.000,00; Banda Duo – R$ 8.860,00; 8º Festival de Hip Hop Black Cat – R$ 7.788,00; Farol do Espaço Profundo – R$ 4.389,00; Pesquisa Sobre o Artesanato de Blumenau, resgate histórico cultural – R$ 8.000,00; Capoeira Arte que Educa – R$ 5.960,00; Oficina Cultural Desconstrução e Construção do Corpo para a Cena – R$ 6.000,00; Vivência Clown – R$ 6.000,00; Negro Olhar - montagem teatral – R$ 20.000,00; Tradução da correspondência de Fritz Müller entre os anos de 1873 e 1898 pertencentes ao Acervo do Arquivo Histórico José Ferreira da Silva – R$ 4.567,60; Projeto de experimentação cênica com técnica do Butoh – R$ 5.000,00; Versos "En" Cantados – R$ 7.956,00; Gênero, Arte e Educação: Questões culturais postas a discussão e pesquisa – R$ 9.000,00; Os caminhos de Sophia – R$ 4.000,00; Uma Pirueta, Duas Piruetas. Bravo! Bravo! – R$ 7.000,00; Montagem de espetáculo teatral em colaboração com várias artes – R$ 10.000,00. Dados disponíveis no site www.fcblu.com.br

Assessora de Comunicação: Marilí Martendal

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Presidente da Fundação Cultural de Blumenau processa ex-conselheira por desacato. Pode?

Breve retrospectiva


Cabe, diante dos movimentos atuais, apontar cronologicamente a ordem dos fatos, e centralizar as informações que saíram na mídias. Tudo isso diz respeito, neste momento, ao fato de a Presidente da Fundação Cultural de Blumenau, após reunião com a classe cultural em abril de 2010, ter movido uma ação judicial na qual acusa a ex-conselheira de cultura de Blumenau, Aline Assumpção, de crime de desacato. Isso mesmo, esse tipo de crime muito comum em épocas de ditadura.


Mas não se pode perder de vista que isto é apenas a ponta do Iceberg "Titanic". Marlene é o resultado de um governo que distribui cargos a partidos políticos sem critérios técnicos, só na base da politicagem. O governo João Paulo Kleinubing aprofundou a omissão do governo na área, desmontando instituições e se ausentando de formular políticas públicas, essa coisa tão bonitamente republicana. 


Então...
1) Carta aberta da Conselheira Aline Assumpção trazendo o caso a público - AQUI
2) Carta aberta do Conselheiro municipal de cultura Márcio Cubiak, esclarecendo os motivos de sua saída do conselho - AQUI.
3) Textos de artistas e produtores culturais de Blumenau em apoio a ex-conselheiro Aline: Gregory Haertel (Dramaturgo, AQUI); Cleiton Rocha (ator e pesquisador de teatro, AQUI); Rafael Koehler (ator e pesquisador, AQUI); Rodrigo Ramos (professor universitário, jornalista e produtor cultural, AQUI); Ricardo Machado (professor universitário, historiador e produtor cultural, AQUI), Conferência Municipal de Cultura - Etapas setoriais (AQUI).


4) Terça-feira, 21/06, o Jornal de Santa Catarina traz ampla cobertura sobre o fato, com:
4.1 - Coluna do Maicon Tenfen - AQUI;
4.2 - Matéria jornalística assinada por Ruca Souza: "Vazio Cultural", sendo capa do Caderno Lazer; Artistas "Também entram em Atrito" e "Gervásio Luz mantém opinião" (ex-presidente do conselho editorial da Editora Cultura em Movimento).


5)Quarta-feira 22/05- Seção Artigo do Jornal de Santa - Viegas da Costa -Bancarrota Cultural AQUI 
Como grande pano de fundo, cabe leituras de:
A IMPORTÂNCIA DO PROIBIDO - Marco Antonio Mattedi - AQUI 
DISCUSSÃO SOBRE FINANCIAMENTO A CULTURA  - AQUI
DISCUSSÃO SOBRE FINANCIAMENTO A CULTURA - AQUI 
CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE CULTURA - AQUI
SOBRE FUNDAÇÃO CULTURAL E POLÍTICAS PÚBLICAS - AQUI, AQUI, AQUI
AMPLIAÇÃO DO PRÉDIO DA FUNDAÇÃO - AQUI 


Enfim, se assunte a respeito do tema. Blumenau autoritária mostrando-se na cultura.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Situações culturais em Blumenau: um caos político

CABE LEMBRAR O EPISÓDIO DE MINHA SAÍDA DO CONSELHO. NÃO É SENSIBILIDADE DEMAIS. É POSICIONAMENTO POLÍTICO. AQUI 

(cai...não cai...?... ei, estamos todos na mesma nau!)

OU: 

Por que eu saí do Conselho Municipal de Cultura e como posso até ir para a cadeia por criticar a Fundação Cultural de Blumenau
Por Aline Assumpção

Após muito refletir, me aconselhar, após noites não dormidas, cápsulas e mais cápsulas de diferentes fármacos para me anestesiar os ânimos, resolvi fazer o que deveria ter feito há quase um ano.

Meus caros, não meus, e não tão caros assim, o que vão ler a seguir é uma tentativa de relato, do que vivi nos últimos meses, tentativa de esclarecer episódios, posturas, silêncios,  arrependimentos, desgostos e transformações.

A questão que me faz neste momento vir a público é um fato extremo, uma das pontas de tudo que tem se passado em nosso cenário cultural. Como muitos sabem, e muitos não sabem,  em março último renunciei a minha cadeira de Conselheira Municipal de Cultura de Blumenau, eleita pela sociedade civil. Os motivos são alguns...

Um dos pontos mais sérios é que estou sendo processada judicialmente pela presidente da Fundação Cultural de Blumenau por crime de desacato, porque um dia, lá em abril de 2010, durante uma reunião com vários artistas para discutir problemas com o edital e o pagamento dos artistas aceitos no Salão Elke Hering (após panelaço, discussões e uma série de reuniões desmarcadas, lembram?? http://umescambau.blogspot.com/2010/04/resultado-ou-nao-da-reuniao-com-fcblu.html) eu perguntei  à diretoria da Fundação Cultural: “Por que vocês não são honestos e assumem que o edital tem uma série de problemas e erros e que vocês demoraram muito a se posicionar, que só se manifestaram agora, quando os artistas começaram a protestar?” Imediatamente minha expressão foi contestada: “Você está nos chamando de desonestas?/ Nunca fui tão ofendida, na minha vida!!”. Peraí, eu não as chamava de desonestas, eu lhes pedia honestidade e transparência, nesta questão específica, honestidade em admitir a sequência de erros e omissões (já se passavam dois meses de uma lista de e-mails e vai-e-vens entre o jurídico da fundação e artistas de todo o Brasil que participavam do Salão sem um retorno efetivo da Fundação). Após uma discussão sobre o significado das palavras honesta/desonesta/honestidade, uma intervenção da professora Noemi, a questão pareceu esclarecida. Naquela mesma noite, a presidência da Fundação foi ainda criticada por muitos outros artistas que a chamaram de “incompetente”, de “inapta”, sugeriram que se retirasse do cargo e aí por diante.

Mas, por algum motivo obscuro (nem tanto, na verdade, afinal eu sempre devo ter sido uma pedra em seu sapato) a presidência da FUndação abriu um boletim de ocorrência contra mim, especificamente, juntamente com um outro artista, que tinha se manifestado de maneira muito distinta da minha naquela noite ( a quem eu havia pedido, inclusive, que se acalmasse, a quem eu havia falado que não estávamos ali para atacar pessoas, mas para discutir e resolver questões de política cultural; o mesmo artista que me acusaria naquela mesma noite, de proteger a presidente e de conivência com a Fcblu, me ameaçando por e-mail e, posteriormente, espalhando para toda a classe que eu estava vendida para a Fundação).

Bem, mas passada a fatídica noite de abril, com aparentemente 'tudo resolvido', foi só em agosto, numa sexta-feira, que chegando em casa após uma semana de trabalho, que recebi uma intimação da delegacia, em que devia me apresentar como autora de um crime, o qual eu desconhecia. Passei um fim de semana infernal, chorando, perdendo o sono, e tentando me lembrar se eu havia ferido alguém, batido o carro, roubado galinha, mas nada me vinha à mente. Eu que só tinha pisado numa delegacia como repórter, tinha agora o constrangimento de comparecer mediante intimação, como acusada de um crime que eu sequer sabia qual era. Quando vi de que se tratava, mal pude acreditar, eu jamais imaginaria que pudesse ser processada por tal motivo, haviam se passado meses, na semana anterior, inclusive, eu estava justamente ajudando a presidente da Fundação Cultural a reunir argumentos e redigir um documento para uma reunião com o prefeito; e ela ‘utilizou’ meus serviços voluntários e idealistas, em silêncio, sem me contar que estava me processando.

Saindo da delegacia, imediatamente procurei a então presidente do Conselho Municipal de Cultura, Noemi Kellermann e o então vice-presidente Jamil Dias. Quase tão assustados quanto eu com o processo, resolveram marcar uma reunião com a presidência da FCBLU. No dia seguinte nos reunimos e após, muita conversa (uma manhã e uma tarde) e ponderações, após os Conselheiros terem declarado que testemunhariam a meu favor e que esta situação só geraria mais desgaste, chegamos a um acordo, a presidência desistiria do processo e eu manteria segredo sobre o ocorrido. 

Pois bem, fiquei quieta, e com o sapo atravessado, diante da tonta (e egoísta e covarde, admito) esperança de que o processo seria retirado e o assunto se encerraria ali. Uns dias depois fomos informados pela presidente da Fundação, que ela solicitara a suspensão do processo, não havia mais com que se preocupar. Sendo assim, eu não compareci a audiência que estava marcada para o início de setembro, em que poderia apresentar minha defesa e ter direito a uma conciliação.
De lá pra cá, confesso que perdi muitas de minhas ilusões, mas, mesmo calejada e decepcionada, com um sorriso amarelo e sem olhar nos olhos daqueles que me acusavam, continuei meu trabalho como conselheira. Aliás, não tenho dúvidas, vergonha ou falsa modéstia de dizer, que trabalhei muito, muito mesmo, para representar dignamente a sociedade civil, os artistas e colegas que me escolheram para tal cargo, procurei manter nossas reivindicações sempre na pauta do conselho, fundação e da prefeitura, incomodei a todos, com muitas críticas.... Trabalhei, penso hoje, muito mais do que a causa merecia, trabalhei cegamente, apaixonadamente, de peito aberto (isso não se faz, eu já passei dos 30).

Foi uma batalha constante junto com outros conselheiros, diante da ausência de respaldo e retorno do poder executivo, para construir politicas culturais sólidas, e fazer com que as demandas das conferências pudessem ser atendidas (que fique claro, não somos mais crianças, que não há milagres, que falamos de grandes transformações que acontecem no pequeno, no médio e no longo prazo). Tivemos que contar com a impaciência dos artistas, críticas pertinentes, e adeprejamentos insanos (renderia um filme de terror) - estávamos numa briga por políticas culturais sólidas, políticas públicas, o que punha consequentemente fim a uma tradicional política de balcão, de apadrinhamentos e benefícios pessoais, a que muitos artistas já haviam se acostumado.
Enfim, cansada do chumbo de cá e de lá, com minha vida pessoal em frangalhos(sim, porque as consequências já invadiam meus espaço privado), resolvi renunciar ao Conselho, e ficar quietinha no meu canto – cuidar da minha vida privada, da  minha casa, pagar minhas contas, fazer as unhas, não é isso o que esperam de nós??
Mas, eis que, um mês e meio depois do meu recolhimento, chega nova intimação judicial. O processo não fora arquivado e eu estava sendo ainda processada por desacato.
Mais dias de angústia, que só cessarão (e eu espero que cessem) no próximo dia 28 de junho, quando terei uma audiência com o juiz. O processo diz que sou acusada de crime de desacato,  cuja pena é de seis meses a dois anos de detenção. Como sou primária, não tenho qualquer antecedente, tenho direito a um benefício que antecede a tramitação no judiciário (denúncia do Ministério Público), chamado de transação penal, em que posso escolher pagar uma multa ou uma pena restritiva de direitos (serviço comunitário ou algo semlhante), para não dar continuidade ao processo. Mas por outro lado, perco o direito de provar minha inocência, de me defender - ou seja, aceito uma pequena pena para me poupar de todo desgaste de um processo judicial.
Novamente os conselheiros  Noemi e Jamil intemerdiaram a questão e foram esclarecer o caso com a presidente da Fcblu. Ela mostrou o documento em que renuncia da denúncia, mas admitiu que não acompanhou se o caso havia mesmo sido encerrado. A presidente se prontificou em ver o que poderia ser feito, mas sua advogada já nos informou que elas não tem mais nada a fazer. Parece que, por se tratar de servidor público, o indivíduo privado perde poderes sobre o processo, que passa a ser de interesse do poder público.

Enfim, eu, que já fui rotulada de “o verbo”, e que tentei ficar calada diante dos fatos, apenas para não me desgastar ainda mais, para não me expor ainda mais, volto a abrir minha boca.
Eu falo porque acredito no direito a liberdade de expressão, e na minha inocência desta acusação feita no calor dos ânimos; falo porque me entristeço de ver o esvaziamento do Conselho Municipal de Cultura, e a desesperança; falo porque sinto pena que a classe artística tenha preferido se desmobilizar, e que cada um ande mais preocupado com o seu quadrado; falo porque sou idealista incurável, porque ainda prefiro a paixão dos jovens à hipocrisia e à estabilidade; falo porque me julgo covarde e egoísta de não ter publicizado cada fato e minha franca opinião na hora, no momento certo.... Talvez seja tarde, mas, como diz o ditado, antes tarde do que nunca.

Aline AssumpçãoArtista visual, produtora cultural, jornalista, professora, Ex-Conselheira Municipal de Cultura.

sábado, 11 de junho de 2011

Convite Conferências Setoriais de Cultura 2011 - Blumenau

No próximo dia 18 de junho - sábado das 13h äs 18h, na FURB, o Conselho Municipal de Cultura promoverá a primeira Conferência Setorial de Música; Artes Cênicas; Cinema, Fotografia, Vídeo; Literatura; Artes Gráficas; Artes Plásticas; Folclore, Cultura Popular e Artesanato; Patrimônio Cultural; Biblioteca; Arquivo, Pesquisa e Documentação; e, Dança, para juntos discutirmos os caminhos da produção artístico-cultural de Blumenau.

Na ocasião, será feito o relato dos projetos de Lei: Sistema Municipal de Cultura e Plano Municipal de Cultura. Criação do Sistema Municipal de Apoio a Cultura constituido pelo Fundo e Mecenato.



Cronograma:

14 h - Abertura Auditório da Furb - bloco "J"  - Apresentação dosprojetos de Lei: Sistema Municipal de Cultura e Plano Municipal de Cultura. Criação do Sistema Municipal de Apoio à Cultura constituído pelo Fundo e Mecenato.
14h45min - Distribuição dos Grupos nas Setoriais
15h Inicío dos trabalhos das Setoriais 
17h - Plenária - apresentação dos resultados das Setoriais 
18h - Encerramento 
19h Apresentação do Espetáculo: Vãos, Desvio e Varanda apresentado pelos alunos da 7ª Fase de Bacharelado em Teatro da Furb 

E sua participação é muito importante! Venha, traga suas propostas.

Conselho Municipal de Cultura

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Minha saída do conselho municipal de cultura de Blumenau

Solicitei, há dois meses atrás, mais ou menos, minha saída do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau. Neste momento, reitero minha saída, fazendo exposição de motivos. Foram 14 meses bastante importantes para minha experiência de vida. Uma boa arena para entender alguns caminhos trilhados no passado e indicativo de alguns bons caminhos para o futuro. Mas um futuro em que exista gestores municipais capazes de dar conta da complexidade e das oportunidades da área, bem como da existência de um campo artístico-cultural que seja atuante.


1)       Está ficando cada vez mais claro para minha pessoa que Blumenau não tem um campo artístico e cultural capaz de ir além da demanda. Demandar tem sido fácil. A internet ajuda a dar caminhos, a comunicar o que outros estão reivindicando. Mas isso não basta. Se o campo artístico-cultural não existe, a demanda acaba não reverberando, não encontrando legitimidade alguma. O campo artístico-cultural de Blumenau começou nos anos 1970, com o Bell e toda sua mobilização. O campo começou sua organização, mas eu ainda não entendi o porquê, depois da metade dos anos 1990, começa a se desarticular. Veja, nas várias edições da conferência municipal de cultura, todas as pessoas participantes assinaram como indivíduos. Nós não temos a participação firme e forte de associações, de empresas do setor, de manifestações culturais do município. A gente tem um monte de pessoas. Só isso. Políticas públicas de cultura só com campo formado, atuando e buscando se fortalecer. Ai está o desafio atual.
2)     *  Depois de tudo pelo que passamos nos últimos anos, a presidente da Fcblu fez-me perder totalmente a paciência depois de “errar” sobre o mecenato e não retirar a Aline do processo de “desacato”. Isso mostra quão despreparada se mostra essa senhora representante das mulheres da elite blumenauense (mulheres maçons, OASE, Rotarys e todos esses demais clubes de serviço). Pode até bem representá-las, como pessoa política, mas como gestora, Marlene Schlindwein não tem cacife algum. Pode até ser bem intencionada, como dizem uns trabalhadores lá de dentro da fundação. Mas isso não basta. Marlene foi capaz de não entender uma informação sobre seu próprio orçamento, no caso do mecenato e; no caso da Aline, não a considerar uma conselheira, uma vez que não houve desacato.  A única coisa pela qual trabalharei, em relação a Fundação, é pela saída de Marlene. Melhor seria solicitar uma grande auditoria de suas contas, fechar a Fundação e recomeçar do zero.
3)      Isso porque sem efetividade, ou seja, sem o poder público absorvendo e executando as reivindicações dos participantes das várias edições da conferência de cultura, não teremos mais a participação de ninguém. Nós temos, em demasiado número, apenas demandadores. Nada mais do que isso.
4)     Algumas vozes autoritárias me perseguiram e me ameaçaram fisicamente. Gente que já fez isso.  Sempre achei o conselho um lugar de embates, mas não um ringue de boxe. Esses autoritários não têm nada a perder, nem a ganhar. E não são agentes do caos, não! O caos é criativo. Eles representam apenas o autoritário. Essas vozes conseguiram minar parte da minha legitimidade, através da baixeza e da fofoca, como representante da “sociedade civil”, seja lá o que isso representa.
5)   Por fim, minha própria situação pessoal. Estou numa fase de transição. Nos últimos 08 anos estive ligado a cultura, nunca como artista, mas como animador, gestor, produtor e militante cultural. Agora, passo ao momento de ser pesquisador, lugar onde quero permanecer. Estou escrevendo minha dissertação de mestrado, onde trabalharei a arena da conferência municipal de cultura e a convergência de territorialidades em torno de políticas públicas. Vou abordar o campo cultural de Blumenau e suas tensões. Desta forma, acho melhor não ser vinculado ao conselho.

Um grande abraço!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O dito desdito.

Era uma vez, um ser humano um tanto ingênuo, publicou num blogue qualquer uma informação intitulada "Grande Notícia". Graças a incalculável capacidade de armazenamento virtual, ainda é possível, inclusive, ler esta postagem. Veja AQUI


Primeiro leia, e saiba do que se trata. Em seguida, continue.


Um dia de fevereiro, Dona Marlene estava animada, em reunião do conselho municipal de cultura de Blumenau. Parecia muito confiante de que algumas coisas seriam diferentes no novato 2011. A tal ponto que pede a palavra e lança: "esse ano, o fundo terá 600 mil reais, mas estamos, também, com recursos na ordem de 600 mil para criar o mecenato municipal". Após sua entusiástica intervenção, algum  conselheiro pergunta: "isso é sério? tão sério que poderia ser divulgado e oficializado?". Disse a presidente FCblu que sim. Questionada pela segunda vez por conselheiro de cultura, "então, quer dizer, posso afirmar, publicamente, que este ano o mecenato municipal vai sair?", a pronta resposta da presidente FCblu foi "sim, podes afirmar". 


Bem, passados três meses, a coisa mudou e o moço também anda mudando. Só que, no caso da lei, foi uma mudança não mudada, ou, a persistência do passado. A informação de que seria criado o Mecenato Municipal para a área de cultura, em Blumenau, cujos recursos já estavam reservados, na ordem de R$ 600 mil, não passou de um .....mal-entendido. Enfim, como era de se esperar (se fosse o moço menos ingênuo), não terá nada de mecenato, ficamos só com o Fundo Municipal de Cultura, no valor de R$ 600 mil (antes eram R$ 400 mil), cujo valor foi aumentado através da ação de vereadores blumenauenses.


Pergunto: como algo dito pode ser tão facilmente desdito? Então tá?


ps - E quando vai ter uma audiência pública para discutir esse projeto, antes de ir a Câmara de Vereadores?

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Convite para Grupo de Trabalho Sistema Municipal de Cultura

Mais informações: 

O Conselho Municipal de Cultura de Blumenau torna público e convida para reunião sobre a montagem da minuta de Lei do Sistema Municipal de Cultura de Blumenau, a realizar-se na seguinte data:

 01 de Fevereiro de 2011, das 19h00 às 21h00, na Fundação Cultural de Blumenau, Auditório Carlos Jardim.

Comunica que além desta reunião, já estão agendados encontros para tratar do tema os dias 15 de fevereiro, 01 e 15 de março, sempre no mesmo local e horário.

Aqui, é possível encontrar a minuta apresentada pela Fundação Cultural de Blumenau.

Sua participação é importante.

Atenciosamente,

Conselho Municipal de Cultura de Blumenau/SC

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Nova diretoria do conselho municipal de cultura de Blumenau

Fundamental registrar a nova composição da Diretoria do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau, gestão 2011:


Jamil Dias, presidente -técnico de Cultura do SESC e;








 Melita Bona, vice-presidenta - professora da FURB.








Os grandes desafios, na perspectiva Deste conselheiro, são: instituir mecanismos de diálogo mais aberto e constante com a comunidade de artistas, produtores e outros trabalhadores da cultura; convencer empresários e comerciantes e alguns profissionais liberais, ou seja, parte considerável da elite local/regional, de que o investimento em cultura é altamente benéfico para a cidade e sua "marca"; aprovar na câmara de vereadores as mudanças institucionais urgentes, visando aprimorar e democratizar a gestão pública nesta área, através da implementação do Sistema Municipal de Cultura, da aprovação e legitimação do Plano Municipal de Cultura, e outros desafios postos. Por fim, o ano de 2011 se mostra central para a transformação do conselho municipal de Cultura em Conselho Municipal de Políticas Culturais, tornando-se referência e parceiro para a produção cultural, para além do simples financiamento das atividades e projetos culturais.


Em resumo, o grande foco para os trabalhos do Conselho é torná-lo uma referência simbólica importante para o universo dos fazedores/consumidores de cultura. Não é pouca coisa. Mas também muito pertinente e estratégica a escolha de duas pessoas ligadas a instituições que já são parte da cultura local:  o SESC, com seu papel de ser quase uma secretaria municipal de cultura, devido a sua relevância e, a FURB, 2o maior orçamento público municipal e formador de capital social, político e econômico nesta cidade.


Sorte aos novos dirigentes. Contem com meio apoio total. 
Márcio.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Anti-produção artística

28/10/2010 | N° 12082

ARTIGO

Antiprodução artística


Na divulgação dos projetos aprovados no Fundo Municipal de incentivo à Cultura, do município de Blumenau, um detalhe destacou-se: a grande quantidade de projetos para estudantes (ou de estudantes) e a inexistência de obras artísticas. Atualmente, o Conselho Municipal de Cultura parece preferir propostas com objetivos didáticos, quando a sua função deveria ser a de fortalecer a produção artístico-cultural em nosso município.
Isso acontece porque, comumente, pessoas indicadas por partidos políticos ou oriundas de outras áreas do poder público migram para atuar no segmento cultural, como funcionários ou conselheiros. Geralmente, sem identidade com os anseios da classe, são políticos querendo firmar-se na carreira ou profissionais liberais, até aposentados, com a intenção de manter-se em evidência. Dizem defender o artista/produtor, mas basta pouco tempo e um pouquinho de poder para se concluir que não fazem o que falam; ao contrário, voltam-se contra quem deveriam prestigiar.
Pelos resultados do Edital 2010, do Conselho Municipal de Cultura de Blumenau, há evidências de que os recursos para a arte e a cultura estão sendo mal-utilizados. Devaneios didáticos, chamados ações culturais ou contrapartida social, estão destruindo com o objetivo principal da lei, que agora parece destinada a estudantes e contrária a artistas produtores.


É preciso lembrar: foi a luta dos artistas e produtores a responsável pela regulamentação da lei de incentivo artístico cultural blumenauense, agora esquecida.


Portanto, é preciso rever os critérios do Conselho Municipal de Cultura. Isto urgentemente, para não aumentar os prejuízos à produção das artes no município. Depois é necessário instituir outro conselho, este engajado com produção artística, tendo alguns artistas como membros.

Desta forma, talvez a Lei de Incentivo à Arte e à Cultura de Blumenau cumpra sua função: fortalecer e salvaguardar a produção artística blumenauense, catarinense e brasileira.

TÁCIO MORAIS NETO|ESCRITOR
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UM DIÁLOGO COM O SR. TÁCIO

Sou membro do Conselho Municipal de Cultura, de Blumenau. O escritor blumenauense Tácio Moraes Neto apresenta contribuição ao debate sobre o aperfeiçoamento, qualitativo e democrático, do Conselho em questão. E  gostaria de produzir e compartilhar um diálogo com o mesmo. Expresso minhas considerações. 

Sua opinião é legitima, porém se detém no que é óbvio: desde muito tempo, artistas, produtores culturais e entidades/associações culturais apontam a necessidade de democratizar o Conselho.

Sua composição é ainda arbitrária: dos 17 membros, 6 foram escolhidos na 4a Conferência Municipal de Cultura, em 2009, e tomaram posse em 2010 e todos os demais são indicados pelo prefeito. Deste mandato, conheço grande parte dos/as conselheiros/as e posso afirmar que a maioria tem qualidades para comporem o conselho. Porém, muito mais avalizado pela sociedade quando esta pode participar mais. Existe uma minuta de lei que modifica a composição e a estrutura do Conselho, tornando-o Conselho Municipal de Políticas Culturais. São mudanças sobre as atribuições do Conselho, fortalecendo-o. É um pequeno passo, mas que vai fortalecer a voz do lado que produz e frui arte/cultura, que é também, o lado mais frágil. O atual prefeito não ouve o Conselho nas questões mais fundamentais, Políticas. O Conselho, hoje, é atuante, atento as transformações institucionais que estão surgindo Brasil afora. Mas só é ouvido pela administração municipal (diga-se gabinete do prefeito) em assuntos cosméticos. E realmente: concordo com o Sr. quando diz que foi a luta do segmento que fez surgir o Fundo Municipal de Apoio a Cultura, esnobado por João Paulo Kleinubing, do DEM.

Mas o mais central do artigo do Sr. Tácio é que , em si, ele é contraditório, uma vez que questiona a legitimidade artística de alguns projetos, considerados de estudantes, dando um surpreendente "carteirasso": os "verdadeiros" trabalhos, aqueles que deveriam ser financiados com dinheiro público, seriam os projetos de artistas legitimados, com "currículo" e "experiência"? Mas legitimados por quem? Afirma o Sr. Tácio que em 2010, há evidências de que os recursos estão sendo mal-utilizados. Pergunto: como o senhor auferiu esse prejuízo? Como medir a relevância de um projeto cultural?

Por sorte, dentre muitos azares da contemporaneidade, essa época oxigenou algumas idéias sobre Arte e Cultura. Uma delas é essa: de que a cultura transbordou para outros setores, dialogando muito mais com a Educação, a Ciência, a Comunicação, a Ecologia, através de múltiplas transversalidades.

Sabe qual o ideal nesse momento, Sr. Tácio, sobre critérios para julgar a aprovação ou não de recursos financeiros para um projeto cultural? Para aprimorar esse instrumento de seleção, 02 coisas: a) Discussão aberta, em plenária representativa de diversos segmentos, para debater publica e democraticamente, critérios que possam equilibrar todas as múltiplas visões sobre arte de nossa época. Não é um debate ad-infinitum, não! É plenária de uma tarde, 14h às 18h, tempo suficiente para construir-se uma proposta legitimada por muitos e não po notáveis. É a questão Ética; b) Comissão de análise externa, com jurados de outras cidades, com dedicação às artes/cultura. essa é a dimensão técnica. Só que esta última é uma proposta inviável para 2011, uma vez que demanda recursos. Foram destinados R$ 400 mil para o Fundo, neste ano. Para 2011, zombateiros R$ 418 mil. Uma comissão dessas não saí por menos do que dois ou três projetos.


No mais, mãos à obras, todo mundo!
Márcio Cubiak

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Fundo Municipal de Apoio a Cultura de Blumenau e a Câmara de Vereadores.

Já existe a informação de quanto, a priori, serão destinados para o Fundo Municipal de Apoio a Cultura de Blumenau em 2011. Vai ser a 6ª edição. A lei foi criada por Décio Lima e os recursos vieram no governo Kleinubing.

O problema é que, por miopia do executivo, Blumenau está na contramão da realidade existente em municípios aqui da região, como Itajaí ou Joinville, com incentivos que superam o milhão de reais.

Aqui, a evolução tem sido bem menor, e a percepção do gabinete do prefeito é de que o que existe é mais do que suficiente para ser destinado à produção cultural local. É com certa deslegitimidade que Kleinubing trata as reivindicações que surgem da comunidade blumenauense, através de artistas, de produtores, de trabalhadores da cultura e atualmente de diversas associações que começam a perceber a importância da arte e da expressão nas suas atividades.

Além disso, o prefeito afirma não recordar-se de sua promessa de campanha de Fundo Municipal de Cultura em R$ 900 mil em 2012.

Em 2010 foram R$ 400 mil. Para 2011, R$ 418 mil. De acordo com a Presidente da Fundação Cultural de Blumenau na última reunião do Conselho de Cultura, no dia 09 de setembro, parece que já é martelo batido.

Central agora é que os interessados em Arte e Cultura mobilizem seus vereadores, os ponham em contato com as reivindicações de 4 edições de conferência municipal de cultura. Desenvolvimento se faz com parcerias de vários atores sociais. Nessa rede – câmara de vereadores, artistas, conselho municipal de cultura, produtores culturais, comunidades e associações – podem somar esforços para corrigir a miopia de João Paulo Kleinubing para este segmento com impactos diretos e imediatos. Parece que o dia 23 de setembro deverá ser o prazo máximo para alterar, na Câmara, essa destinação de frouxo impacto.

Os vereadores devem sentir-se desafiados a corrigir, também, o descompasso municipal com o melhoramento da institucionalização da cultura, com a reconstrução do Ministério da Cultura, a ampliação do conceito de Cultura, a afirmação da diversidade e a criação de mecanismos criativos de financiamento na esfera federal. O Sistema Nacional de Cultura, espécie de SUS da área, deverá articular e somar esforços nas três esferas da administração pública, a iniciativa privada, os municípios e atores locais. O Plano Nacional de Cultura destinará recursos diretamente para os municípios, aumentando o financiamento disponível. A Fundação Cultural não deve ficar alheia a tudo isso, nem o prefeito se fazer de “dorminhoco”: nesse trem que passa o atraso quem paga é a população.

Em breve chegará ao legislativo municipal a reformulação do Conselho Municipal de Cultura, tornando-o deliberativo e paritário, com a responsabilidade de organizar democraticamente o Plano Municipal de Cultura local. A proposta representa um avanço no marco legal, atribuindo funções condizentes com o desafio e a produção cultural do século XXI, deixando-o de ser um espaço de notáveis para um espaço de representação setorial efetiva. Espero nesse caso o empenho da bancada parlamentar.

São desafios postos aos nossos vereadores, ainda alheios ao campo artístico e cultural e suas possibilidades de produção de cidadania, geração de renda e tolerância. Nobres Edis, tomem estas pautas e incorporem em suas agendas a cultura. Conheçam as deliberações das quatro edições da conferência municipal de cultura.

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Vereador ROBERTO TRIBESS - betotribess@camarablu.sc.gov.br

Vereador FÁBIO ALLAN FIEDLER -ff@camarablu.sc.gov.br

Vereador JOÃO JOSÉ MARÇAL - zemarcal@camarablu.sc.gov.br

Vereador ANTÔNIO JOÃO VENEZA DE SOUZA - veneza@camarablu.sc.gov.br

Vereador DEUSDITH DE SOUZA - deusdith@camarablu.sc.gov.br

Vereadora HELENICE G. M. LUCHETTA - helenice@camarablu.sc.gov.br

Vereador JOSÉ DE SOUZA - "ZECA BOMBEIRO" - zecabombeiro@camarablu.sc.gov.br

Vereador JOVINO CARDOSO NETO - jovino@camarablu.sc.gov.br

Vereador MARCELO SCHRUBBE - marceloschrubbe@camarablu.sc.gov.br

Vereador MARCO ANTÔNIO G. M. WANROWSKY - wanrowski@camarablu.sc.gov.br

Vereador NAPOLEÃO BERNARDES NETO - napoleao@camarablu.sc.gov.br

Vereador NORMA T. DICKMANN - normadickmann@camarablu.sc.gov.br

Vereador VANDERLEI PAULO DE OLIVEIRA - vanderlei@camarablu.sc.gov.br

Vereador VANIO FRANCISCO SALM - vanio@camarablu.sc.gov.br