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quinta-feira, 28 de julho de 2011

CAMPO CULTURAL - A institucionalização da Fundação Cultural de Blumenau

Dando os primeiros passos para analisar a institucionalização da cultura em Blumenau, através da Fundação Cultural de Blumenau. Representa uma pesquisa de interesse pessoal e está diretamente vinculada aos objetivos da minha dissertação de mestrado no Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Regional, na FURB. A intenção é analisar os processos de institucionalização e as idéias que nortearam esses movimentos.


Então, para início de conversa...


A FCBlu é muito mais que um prédio. Quais são as idéias que a orientam? Crédito da Foto: Jaime Batista
O órgão responsável, em Blumenau, pela coordenação das atividades de fomento às artes e a cultura e da preservação do patrimônio histórico é a Fundação Cultural (Fcblu), pessoa jurídica de direito público, instituída pela Lei Municipal nº 353 de 30 de julho de 1952, que fundou a “Casa Dr. Blumenau. 


Sob a sua responsabilidade, estão estruturas que formam parte do SISTEMA MUNICIPAL DE CULTURA, como a Biblioteca Municipal Fritz Müeller, o Arquivo Histórico José Ferreira da Silva, A Escolinha Municipal de Artes Monteiro Lobato, o Museu da Família Colônia, Mausoléu Dr. Blumenau, Espaço da Cultura Popular, Museu de Arte de Blumenau, Casa da Memória da Escola Nº 1, Centro Cultural da Vila Itoupava, Horto Edith Gaertner, Cemitério dos Gatos, Museu de Hábitos e Costumes, Museu dos Clubes de Caça e Tiro entre outros.  


Seu primeiro presidente foi José Ferreira Silva, entre 1962 até 1973. Em seguida, 1974 a 1977 – Frederico Carlos Allende; 1977 a 1991 – José GonçalvesImportante, também, atentar para o fato de que entre 1977 e 1991 a Fcblu foi presidida pela mesma pessoa, João Gonçalves. Mais recentemente o município teve os seguintes presidentes da Fundação Cultural: 1991 a 1992 – Frank Graf; 1993 – Elke Hering; 1993 a 1996 – Altair Carlos Pimpão; 1997 a 2004 – Bráulio Maria Schloegel; 2005 a 2007 (agosto) - Marion Bubeck; 2007 a 2008 – Ivo Hadlich2009 – Marlene Schlindwein

sexta-feira, 8 de julho de 2011

foto protesto "Fora Marlene", contra o autoritarismo da presidente e a omissão mudez-surdez do prefeito.

As fotos abaixo são creditadas para Sally Satter.
Protesto "Fora Marlene", contra o autoritarismo da presidente e a omissão mudez-surdez do prefeito.





Crise na Fundação Cultural de Blumenau chega ao Estado

fonte: blog da Giovana

Uma situação que poderia (e deveria) ser resolvida internamente _ e de forma rápida _ está tomando proporções que poderão se tornar insustentáveis. A crise que se instalou na Fundação Cultural de Blumenau já é conhecida em todo o Estado. A deputada estadual Ana Paula Lima (PT) expôs no Parlamento, esta semana, a crise da entidade. Ela citou o fechamento de atividades, a renúncia de membros do Conselho Municipal de Cultura e das reclamações de atitudes arbitrárias da presidência. Também comentou que Fundação também é alvo de uma investigação pelo Ministério Público, que anunciou a instauração de um inquérito civil para averiguar possíveis irregularidades no extinto “Casarão das Oficinas”, envolvendo ex-funcionários. 

- Não bastasse o desmonte das políticas sociais, agora o governo municipal vitimiza a cultura de uma cidade historicamente conhecida por suas riquezas nesta área e, acima de tudo, as suas tradições – criticou a parlamentar. 

Ela ressaltou que olhando o estado do prédio sede da fundação, um marco histórico da arquitetura da cidade, é possível notar o abandono e o descaso pela situação precária daquele espaço físico. 

- Enquanto isso o prefeito se mantém em silêncio, típico de quem não se importa, nem se responsabiliza por nada”, ressaltou a deputada.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

noite fria, mas multicultural

Apesar de "Dona Marlene" ter escapado pela tangente, auxiliada por seus assessores, 12 pessoas participaram de um protesto silencioso e simbólico nesta última noite multicultural organizada pela Fundação, ocorrida em 07/07. 
Foto de Jaime Batista da Silva
 A intenção foi relembrar o autoritarismo da atual gestão municipal, prefeito (surdo e mudo politicamente) e da presidente. No último mês veio a tona a informação de que ex-conselheira de Cultura, Aline Assunpção, foi processada por Marlene, que enquadrou Aline por crime de desacato, esse resquício da ditadura. Além disso, o grupo defende a discussão de políticas públicas para a cultura como uma política municipal de desenvolvimento, social e individual. Coisas que andam a faltar e desabar em Blumenau. (para estar contextualizado(a) leia AQUI e AQUI).
Foto de Jaime Batista da Silva

O Jaime, jornalista independente, esteve por lá e registrou o protesto. O blogue pode ser apreciado AQUI.


Foto de Jaime Batista da Silva


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Blumenau: política cultural e exclusões.

Blumenau, município catarinense localizado no chamado “Vale Europeu” acumula alguns anos seguidos de descaso e miopia em se tratando de políticas culturais (o que é uma política cultural[1]?). Essa situação é pano de fundo de uma batalha entre o campo artístico e cultural do município contra a surdez e mudez do prefeito Kleinübing (DEMo ou ex-DEMo, dá no mesmo)

Mas um fato precisar destacado: essa tensão cultural acompanha o desenvolvimento da Colônia, em 1850, até os dias de hoje, em que realizamos conferências de cultura anualmente, fruto de uma política cultural que perdura há mais de 160 anos. O peso da elite local, imigrantes alemães ou os chamados “teuto-brasileiros”[2] na constituição da memória simbólica coletiva é enorme, com investimentos sistemáticos em toda a estrutura política do município e nos sujeitos que vivem nesse território (MACHADO,2008), entre 1850-1940, em torno do nacionalismo alemão tipicamente século XIX, criando seus mitos[3] através da desvalorização do Outro, como no caso dos açorianos, tidos como “preguiçosos e não feitos ao trabalho” (SEYFERTH, 1981; FERREIRA, 2000; FROTSCHER, 2007). O período pós 1945, quando termina o Governo Vargas e a política de nacionalização tem seu abrandamento, a elite local buscou ressignificar o discurso cultural dos anos anteriores na condição, agora, de mercadoria. Nos anos 1960 são acionados os primeiros esforços na consolidação de uma estrutura turística, na construção de uma cidade-imagem turística.  Os anos 1980, marcados por duas grandes enchentes, é catártico, momento do “renascimento alemão”, amplificando mitos, promovendo festas e exclusões.

A história local, portanto, ainda é marcada pela monocultura, numa simplificação e reinvenção da tradição que, diante de crises estruturais do município (urbanística, ambiental, modelo de desenvolvimento), se apega a memória do passado e a sua venda como souvenir. Essa monocultura é um estereótipo. Quando se fala de Blumenau, são esses valores cultivados pela elite que “aparecem”, emergindo uma cidade distorcida. O fato é que a produção cultural local é, em sua maioria, menosprezada pelo poder público, pela publicidade do município, pois a cidade-imagem só amplifica o seu “quadrilátero fotogênico” (FLORES, 1997). A grande produção cultural de Blumenau está caoticamente territorializada nos bairros afastados do centro, na “margem” simbólica da exclusão. Olhos azuis e loiros cabelos vendem toalhas e cervejas.

Os bairros blumenauenses possuem sociabilidades específicas, mas também, características da tal periferia. Nela, invisíveis, encontram-se pessoas, muitas delas nascidas em Blumenau, outras vindas de municípios e estados diferentes. São comunidades que possuem dinâmicas próprias e que articulam inúmeras referências culturais: urbana, rural, da cidade natal e da nova cidade. O resultado é uma identidade cultural gerada a partir da tensão entre universos simbólicos de diferentes espacialidades e territorialidades. Essa multiterritorialidade (ver HAESBAERT, 2006), no entanto, não é abstrata: essas comunidades são, concretamente, espaços da desigualdade, da ausência dos serviços públicos de qualidade, o espaço da ocupação ilegal.
 
A política cultural, portanto, praticada pelo poder público, com aval de segmentos da elite local, está centrada na atualização/distorção constante desse mito civilizatório, presente no nacionalismo do século XIX e na Colônia de Blumenau, também. Lembrar e esquecer são centrais nessa política. Portanto, há sim, em Blumenau uma política cultural, alimentada por são reminiscências de cunho étnico misturado com alguns os princípios da democratização cultural[4] em que se investe no milagre das artes eruditas. O governo municipal e seu equipamento de cultura, neste sentido, seguem na contramão do debate nacional e internacional.

As tensões culturais, geradas pela invisibilidade cultural promovida pela elite local com o apoio e financiamento do governo municipal, ainda podem ser mensuradas atuando fortemente no território chamado Blumenau. Nos últimos anos, alguns segmentos da sociedade e do campo cultural blumenauense resolveram encampar a idéia de políticas públicas de cultura, de aprimoramento institucional dos equipamentos e da gestão cultural, mas, acima de tudo, de denunciar a monocultura financiada pelo governo municipal. Houve, por exemplo, cinco edições da conferência municipal de cultura, que se tornou a principal arena da apresentação de demandas do segmento para a criação do seu Plano Municipal de Cultura. Mas a ‘boniteza’ acaba por aqui: todas as propostas sugeridas pelas cinco plenárias finais das conferências de cultura e que se tornaram documentos orientativos ao governo, foram ignorados. Isto é, a efetividade da conferência, em avanços institucionais por parte do governo, é nula! 

No último mês, veio a tona algumas situações crônicas que demonstram o esvaziamento do papel da Fundação Cultural de Blumenau, bem como da incompetência de seus gestores. Contramão total da história, a atuação do governo municipal de Blumenau ficou insustentável: não há mais clima para a permanência da atual presidente da fundação.


Além disso, o governo municipal, em 2009[4], diminui sensivelmente o número de trabalhadores internos da Fundação, especialmente os comissionados. Nada mesmo que 11 pessoas deixaram de exercer funções de gestão. Num país como o Brasil, em que comissionado é moeda de troca, poderia ser uma boa notícia. Mas sem comissionados e basicamente sem funcionários de carreira, a estrutura praticamente parou diante da demanda, sem dar conta do recado. 

Romper com a idéia da monocultura “teuto-brasileira” sem negá-la, promovendo uma operação de "desestereotipar" o "alemão de Blumenau", valorizando aquilo que se mostra produto da ação cultural neste territorório, juntamente com uma política cultural baseada no pressuposto da “cidadania cultural”, que é acatar a condição de produtor cultural/social de cidadão, é apostar na abertura simbólica de Blumenau para a diversidade de suas expressões, acionando um extenso campo de possibilidades concretas para seu futuro, através do tripé “sustentabilidade-criatividade-cidadania”.


Referências Bibliográficas

CANCLINI, Nestor Garcia. Definiciones en transición. En libro: Cultura, política y sociedad Perspectivas latinoamericanas. Daniel Mato. CLACSO, Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina. 2005. pp. 69-81.
Acceso al texto completo:
http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/grupos/mato/GarciaCanclini.rtf

FERREIRA, Cristina. Identidade e cidadania na comunidade Teuto-brasileira no Vale do Itajaí. In: FERREIRA, Cristina. FROTSCHER. Méri (org.). Visões do Vale: perspectivas historiograficas recentes. Blumenau: Nova Letra, 2000, p.71-90.

FLORES, Maria Bernadete Ramos; WOLFF, Cristina Scheibe. Oktoberfest: turismo, festa e cultura na estação do chopp. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 1997. 188p, il.

FROTSCHER, Identidades móveis: práticas e discursos das elites de Blumenau (1929-1950) /Méri Frotscher. -Blumenau: Edifurb : 2007,  240 p


HAESBAERT, Rogério. O Mito da Desterritorialização: do ‘fim dos territórios à multiterritorialidade. 2ª edição. Rio de Janeiro. Bertrand Brasil. 2006.


MACHADO, Ricardo. Entre o público e o privado: gestão do espaço e dos indivíduos em Blumenau (1850-1920). Blumenau: Edifurb, 2008, 126 p.

SAYFERTH, Giralda. Nacionalismo e identidade étnica: a ideologia germanista e o grupo étnico teuto-brasileiro numa comunidade do Vale do Itajaí. Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura, 1981, 240p.


[1] Para a Organização das Nações Unidas, Política Cultural diz respeito àquelas políticas relacionadas com a cultura, seja em nível local, regional, nacional e internacional, que são, ou focadas na cultura como tal, ou designadas para ter um efeito direto em manifestações culturais de indivíduos, comunidades e sociedades, incluindo a criação, produção, disseminação, distribuição e acesso as atividades, bens e serviços culturais. Para o MICHEL DE CERTEAU“a política cultural lida com o campo de possibilidades estratégicas; ela específica objetivos mediante a análise das situações e insere alguns lugares cujos critérios sejam definíveis, onde intervenções possam efetivamente corrigir ou modificar os processo em curso (1995, p.193)”. Para CANCLINI Los estudios recientes tienden a incluir bajo este concepto al conjunto de intervenciones realizadas por el estado, las instituciones civiles y los grupos comunitarios organizados a fin de orientar el desarrollo simbólico, satisfacer las necesidades culturales de la población y obtener consenso para un tipo de orden o transformación social. Pero esta manera de caracterizar el ámbito de las políticas culturales necesita ser ampliada teniendo en cuenta el carácter transnacional de los procesos simbólicos y materiales en la actualidad ( 2005, p.78). Para BARBALHO, programa de intervenções realizadas pelo Estado, entidades privadas ou grupos comunitários com o objetivo de satisfazer as necessidades culturais da população e promover o desenvolvimento de suas representações simbólicas”(2005, p.37).
[2] Primeira geração de nascidos pós imigração alemão para a região
[3] Como o homem civilizado capaz de transformar a floresta em cidade pelo seu espírito “empreendedor”.
[4] A Lei Complementar N° 704, de 29 de janeiro de 2009, altera a estrutura organização da Fundação Cultural de Blumenau estabelecida na Lei complementar N° 400, de 06 de maio de 2003

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Cultura - repercurssões da omissão governamental


Fala, Kleinübing!
Maicon Tenfen - JORNAL DE SANTA CATARINA
Dizem que os ratos são os primeiros a abandonar um navio que está afundando. No caso da Fundação Cultural de Blumenau – espaço da famigerada “cultura Titanic” – é o contrário que está acontecendo. Já há algum tempo, muita gente boa vem saltando de um barco que, esquecido e mal comandado, segue na direção do naufrágio.

Para não me estender demais, já que a lista é grande, cito apenas o colega Gervásio Luz, ex-presidente do Conselho Editorial da Editora Cultura em Movimento (que não publica mais livros); Aline Assumpção, ex-membro do Conselho Municipal de Cultura (processada pela presidenta Marlene Schlindwein); Charles Steuck, ex-presidente do Conselho do Museu de Arte de Blumenau (que, segundo carta de renúncia, cansou de fazer o “papel de capivara”); e Daiana Schvartz, que renunciou ontem, também ex-membro do Conselho do MAB.

Conforme já escrevi outro dia, falta tudo na Fundação Cultural, e olhe que não estou falando somente de dinheiro, algo que sempre faltou para a cultura, mas principalmente de competência e boa vontade. Como se isso fosse pouco, o Ministério Público acaba de confirmar que vai instaurar um inquérito para investigar possíveis irregularidades envolvendo funcionários do extinto Casarão das Oficinas (outra perda da atual gestão).

Ontem, no Santa, logo abaixo da palavra CULTURA, fomos obrigados a ler um título que trouxe vergonha para toda a comunidade: SOB O OLHAR DA LEI. Enquanto isso, na sala de justiça, João Paulo Kleinübing e Rufinus Seibt, responsáveis diretos pela indicação da presidenta Marlene Schlindwein e de tudo que está acontecendo, refugiam-se num silêncio típico dos irresponsáveis. Eu francamente gostaria de saber o que está acontecendo com a administração pública de Blumenau, uma cidade que costuma se gabar de seu povo culto e politizado.

É que a questão não é apenas política, mas sobretudo administrativa. Ou o Executivo toma uma atitude sobre o atual estado das coisas, ou a Fundação encontrará o seu destino no fundo do oceano. Por que o prefeito ou o vice não se manifestam sobre a questão? Por que manter a pobre Marlene como escudo, recebendo as pedradas endereçadas a um problema maior que a incompetência individual de um gestor, a saber, A AUSÊNCIA DE POLÍTICAS CULTURAIS SÉRIAS NO MUNICÍPIO? Não apenas a classe artística, mas toda a comunidade espera uma posição da prefeitura.

Do jeito que as coisas vão, daqui a pouco não haverá nem ratos para abandonar o navio

CULTURA NA SEÇÃO CARTAS – JORNAL DE SANTA CATARINA

RODOVIÁRIA
Agora falam em privatizar a Rodoviária de Blumenau. Pelo jeito, nada mais na municipalidade tende a funcionar, todos os serviços estão precários em Blumenau. O Executivo serve apenas para se beneficiar da arrecadação? Precarizar para depois privatizar, eis a máxima desta administração. Até na Cultura privatizaram o Casarão das Oficinas. A solução é acionar o Ministério Público.

Clóvis Truppel
Designer – Blumenau

CULTURA

É lamentável a situação da cultura de Blumenau. Primeiro, a queda do telhado da Fundação, que desalojou e levou à extinção da Escolinha de Artes. Semana passada, a debandada no Conselho Municipal. Esta semana, as suspeitas envolvendo o Casarão das Oficinas e a Fundação Cultural. Não está na hora de a prefeitura rever as pessoas e as estratégias empregadas neste setor na cidade? Estou decepcionada com o desinteresse público de Blumenau pela cultura. O que restará para os meus filhos?

Priscila Brazuna de Souza
Vendedora - Blumenau


quarta-feira, 29 de junho de 2011

Casarão das Oficinas

O Ministério Público, através do promotor da 14ª Promotoria de Justiça da Comarca de Blumenau, Gustavo Mereles Ruiz Diaz,vai investigar possíveis irregularidades no fechamento do Casarão das Oficinas. A matéria pode ser acessada AQUI.

Quanto às irregularidades, esperaremos resposta do Ministério Público. Agora, acima de tudo, duas coisas saltam as nossos olhos:

a) O que ocorreu com o Casarão das Oficinas, seu encerramento e a abertura da Casa das Oficinas por funcionário de cargo comissionado do governo liga-se ao contexto politico atual, dirigido pelo executivo blumenauense: a privatização do Esgoto; a privatização da Rodoviária; os benefícios generosos do governo para o consórcio SIGA. É a privatização das responsabilidades do governo.O governo abre mão de apontar prioridades, deixa de ser Político (num sentido mais amplo) para ser gestão de e para determinados setores economicos. Se, no caso da cultura, o governo repassa a definição de prioridades somente para a iniciativa privada, ele reforça exclusões e invisibilidades culturais: só vai ter atividades culturais do tipo "televisão no Brasil aos domingos a tarde" ou, então, o ideal burguês de alta cultura. E o artista ou produtor cultural que tenta ousar e se lançar em empreendimentos mais associativos para oferecer cursos e atividades culturais no bairros, por contra própria, pena sem apoio local. Neste sentido, este governo é surdo (liga seu aparelho de surdez somente para ouvir "amigos do rei"), privatista, reforçardor de desigualdades, abrindo mão de sua capacidade de planejamento para ser aquele "bureau" de ajuda humanitária aos ricos

 b) O fato de uma Fundação Cultural não desenvolver atividades de formação e reflexão artística e cultural, de ela servir grandemente a tão somente a preservação da tradição da elite local, torna-a desimportante,  esvaziando seu sentido e abrindo mão das inúmeras possibilidades criativas, tornando-se mero equipamento vazio, que se não fosse pelo trabalho desenvolvido pelo Arquivo Histórico e pela Biblioteca, seria nada mais que cabide de emprego. É essa a Fundação Cultural de hoje. Vale lembrar que a própria Escolinha de Artes Monteiro Lobato teve seus sérios problemas por falta de espaço, em 2010. Então, com o fechamento do Casarão das Oficinas e o desmonte da Escolinha de Artes, temos um governo que deixou para os agentes privados a responsabilidade de formar capital social. Vá fazer um curso no Teatro Carlos Gomes, pagando pelos serviços. Sabe-se da qualidade e do acumulo de experiencia das suas três escolas: de Música, de Teatro e de Dança. Mas os seus preço são para poucos. O governo não poder trabalhar contra a respública, criando e legitimando guetos.

Portanto, penso que é fundamental ressaltar que com essa ação se responsabiliza um governo pelo seu desinteresse e omissão ao que já existe e não somente uma pessoa em específico, que precisa, no entanto, se explicar. Mas aqui, o que tem que ser condenado é postura omissão desse desgoverno que não vejo a hora de terminar.
NO MAIS, FORA MARLENE.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Fundação Cultural de Blumenau: improbidade administrativa em relação ao Casarão das Oficinas?

Casarão das Oficinas

Denúncia ao Ministério Público de improbidade administrativa na Fundação Cultural de Blumenau
1 – Em 2009, durante a Conferência Municipal de Cultura, houveram denúncias de irregularidades administrativas e trabalhistas no Casarão das Oficinas, entidade vinculada a Fundação Cultural de Blumenau, localizada na rua Alwin Schrader, e que promovia oficinas culturais para a comunidade. Apesar de se tratar de um setor do serviço público, os funcionários não possuíam qualquer tipo de contrato trabalhista. Seu funcionamento era estabelecido através de repasse de 80% do valor da mensalidade para o professor e os outros 20% ficavam com a Fundação para a manutenção do espaço físico. Estes valores eram cobrados sem entrar para o caixa geral da entidade e por isso, sem qualquer controle legal das contas, como devia ser regido no serviço público. A este respeito, citamos os anais da 4° Conferência Municipal de Cultura:


4. Reestruturação e ampliação do quadro profissional da FCB, considerando-se a
qualificação técnica para garantia das políticas públicas e continuidade dos projetos
culturais.
4.1. Reestruturações da Casa das Oficinas, implicando na contratação dos
profissionais por edital, ou concurso e garantias de estruturas adequadas para a
realização das oficinas, corrigindo a atual situação de ilegalidade. (ANAIS DA 4ª CONFERÊNCIA MUNICIPAL. Fundação Cultural de Blumenau. Conselho Municipal de Cultura. Blumenau. 2009. p.9.)

Durante a Conferência, a própria presidente da Fundação, Marlene Félix Schlindwein reconheceu publicamente as irregularidades e comprometeu-se em resolver a situação. Na ocasião, o coordenador responsável do Casarão das Oficinas era o funcionário em cargo comissionado Evandro Stein, a quem foi atribuída a função de encontrar alternativas para o funcionamento legal da entidade.

2 – No início de 2010, o Casarão das Oficinas foi fechado e os professores ficaram sem seus empregos e sem qualquer indenização trabalhista pelos serviços prestados. Sendo que, havia professores que trabalhavam na entidade por mais de 10 anos. Em março, o Jornal de Santa Catarina publica extensa matéria sobre a situação irregular:
O edital para a seleção de profissionais que atuariam no projeto de oficinas da Fundação Cultural, sediado anteriormente em um casarão da Rua Alwin Schrader, deve ficar para junho. Depois que irregularidades sobre a forma de funcionamento das aulas terem vindo à tona durante a Conferência Municipal de Cultura, no ano passado, a atual administração da autarquia cessou as atividades em dezembro e só retornará após a elaboração do documento. As oficinas funcionavam ilegalmente em função de o espaço público, alugado pela Fundação Cultural, ser utilizado por professores particulares. A parceria fazia com que 80% dos valores das mensalidades ficasse com os profissionais, enquanto 20% era revertido para a Fundação Cultural. O edital está sendo elaborado pela Procuradoria-Geral do Município e levará em conta a formação e experiência de cada um dos profissionais. (BITTENCOURT, Wania. Oficinas só em junho. Jornal de Santa Catarina. 10/03/2010.)



Na mesma reportagem, a presidente da fundação se compromete com a reabertura do espaço e a realização de um edital público que deveria ser aberto até o mês de junho de 2010. Na mesma data, foi publicado artigo sobre o tema no Jornal de Santa Catarina:
Em Blumenau, no mês de setembro do último ano, foi realizada a 4ª Conferência Municipal de Cultura. Na conferência, uma das principais demandas discutidas foi a de garantir políticas públicas e gratuitas de cultura. Entre estas políticas, estava a manutenção e a regularização do Casarão das Oficinas. No entanto, devido a questões administrativas e trabalhistas, em vez de regularizar a situação, a Fundação optou simplesmente por fechar o espaço no último mês de dezembro. (SCHVARTZ, Daiana. O Casarão das Oficinas Caiu. Jornal de Santa Catarina. 10/03/2010).

Ainda sobre o mesmo tema, os colunistas Maicon Tenfen e Anamaria Kóvacs publicaram artigos fazendo referência a situação:
Por que não me surpreendo com o descaso do poder público de Blumenau em relação à Escolinha de Artes Monteiro Lobato e ao Casarão das Oficinas? Porque, óbvio ululante, o município simplesmente NÃO POSSUI política cultural. Ou, por outra, até possui no papel, mas a falta de verbas, de pessoal e de bom senso impedem que as palavras se transformem em ações. TENFEN, Maicon. Escolinha e Casarão. Jornal de Santa Catarina. 11/03/2010

Freqüentei o Casarão das Oficinas, como aluna do curso de Desenho, durante dois anos; o estado do prédio é lamentável, por falta de conservação; o desprezo pela cultura manifestava-se nas salas precárias, nas mesas desmanteladas, na sujeira, nas paredes carentes de pintura, no sofá encardido da entrada. Os professores lutavam para conseguir, ao menos, cadeiras em número suficiente para todos os alunos, e, no caso da minha turma, o espaço nas mesas desconjuntadas era tão pequeno que acabávamos nos estorvando uns aos outros. Agora, nem isso temos mais. (KOVÁCS, Anamaria. Cultura? Bah. Jornal de Santa Catarina. 18/03/2010)

3 – Em agosto de 2010, veio ao público a divulgação de um nova “Casa das Oficinas”, na rua João Pessoa n° 1425 no bairro da Velha. Apesar de fazer uso de um nome semelhante, desta vez a entidade é de caráter privado e gerenciada pelo antigo coordenador do extinto “Casarão” – Evandro Stein. Na ocasião, e atualmente, ele ainda é funcionário em cargo comissionado da Fundação Cultural de Blumenau. A este respeito, o Jornal de Santa Catarina abordou da seguinte forma:
Em meio às adversidades, professores de diferentes modalidades artísticas e de lazer precisaram reinventar o próprio trabalho. E tornaram-se empreendedores. Com o fechamento do Casarão das Oficinas da Fundação Cultural de Blumenau, no final do ano passado, profissionais que atuavam no espaço decidiram montar um novo lugar para a cultura, onde pudessem ministrar suas aulas. Assim criaram a Casa das Oficinas, sediada na Rua João Pessoa, no Bairro da Velha, atualmente em pleno funcionamento e com matrículas abertas.
– Vimos que não tinha o que fazer para impedir o fechamento. Nos unimos e decidimos procurar um lugar – conta o diretor da Casa das Oficinas, Evandro Stein, que chegou a trabalhar na área administrativa do antigo casarão.
Além de Evandro, outros cinco profissionais aderiram à ideia de empreender culturalmente. A primeira alternativa idealizada foi a criação de uma cooperativa. No entanto, o que vingou foi o surgimento deste espaço comum, onde cada professor faria o seu horário e cobraria o valor adequado para sua atividade. Entre janeiro e abril, o grupo esteve em busca do local que comportasse todas as atividades e fosse capaz de atender a demanda de alunos. Até que encontraram essa residência na Rua João Pessoa. Com dois andares, várias salas e um espaço livre externo, a casa passou por uma reforma e abriu as portas em maio. Além dos cinco professores vindos do Casarão das Oficinas, outros profissionais se uniram a eles
. (BITTENCOURT, Wania. A nova Casa da Cultura. Jornal de Santa Catarina. 09/08/2010)

Na matéria fica evidente, que o coordenador não buscou alternativas para o funcionamento público de oficinas como havia sido deliberado na Conferência de Cultura. Assim, através da iniciativa privada e obteve beneficiamento individual. Esta questão foi denunciada pelo Jornal Expressão Universitária:
Após denuncia de irregularidades administrativas no Casarão das Oficinas, a Fundação Cultural decidiu fechar os cursos que eram oferecidos à população. Mas o que há de novo é que tem se tornado cada vez mais evidente que o desmonte das políticas públicas serviram aos interesses privados, como foi demonstrado na matéria do Jornal de Santa Catarina de 09 de agosto de 2010. A matéria apresenta como uma nova alternativa a “Casa das Oficinas”, mas que na verdade, se trata de um empreendimento privado do antigo coordenador do Casarão das Oficinas e ainda atual cargo comissionado da Fundação Cultural. Este é um belo exemplo de empreendedorismo ou oportunismo? (EXPRESSÃO UNIVERSITÁRIA. Jornal do Sindicado dos Servidores Públicos de Blumenau. Casarão das Oficinas: Público x privado. Setembro de 2010.p.5).

4 – Em novembro de 2010, foi realizada a 5ª Conferencia Municipal de Cultura e novamente esta situação de beneficiamento ilícito e ausência de oficinas culturais oferecidas pelo poder público foi denunciada pelos participantes.
5 – Em fevereiro de 2011 acontece uma grande divulgação pela internet e através de panfletos da Casa das Oficinas gerenciada por Evandro Stein. Desta vez, a divulgação foi feita com apoio da própria Fundação Cultural (conforme anexo). É preciso, ressaltar que o próprio funcionário em cargo comissionado e ao mesmo tempo gerente da Casa das oficinas é responsável pelo setor de publicidade da Fundação.