Folha de S.Paulo -
Barbara Gancia: Medo, mesmo, eu tenho do Neymar - 24/09/2010
BARBARA GANCIA
Medo, mesmo, eu tenho do Neymar
Só o ócio do tipo que leva à danação eterna explicaria as manifestações vistas nos últimos dias
DEVE ESTAR faltando trabalho para os advogados tapuias. Minha impressão é que parece ter pouca gente aplicando golpes na praça, prevaricando, matando e cometendo outros ilícitos.
Está certo que o pessoal anda com os ânimos acirrados por conta da eleição, mas só o ócio mais desavergonhado, do tipo que leva à danação eterna, explicaria as manifestações vistas nos últimos dias.
A começar pelo faniquito do presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D" Urso, que resolveu selecionar o que você e eu devemos apreciar na Bienal de Arte que abre amanhã. Em nome dos bons costumes, D'Urso tentou excluir da mostra as obras do artista Gil Vicente.
Alô, senhor Flávio D'Urso! Por acaso, alguém pediu sua opinião? Gostaria de saber que escola emérita de arte o senhor cursou que lhe confere o direito de decidir por mim o que devo ou não apreciar.
Seria gravíssimo se um crítico de arte tentasse exercer o papel de censor. Mas é ainda mais grave observar que o senhor D'Urso, que está no terceiro mandato como presidente da OAB (seccional São Paulo), resolveu inverter os papéis e sair atacando valores que deveria estar defendendo com a vida.
Se eu fosse a bispa Sônia, trataria de ficar com oito pés atrás. O senhor D'Urso não presta serviços para ela, na qualidade de seu defensor? Pois então. Neste episódio, ele demonstrou que precisa voltar com urgência aos livros.
Por natureza, advogados têm intimidade com o conceito de liberdade de expressão. Quando não têm, algo me diz que eles correm o risco de ser perseguidos pelas ruas e xingados de rábulas, não é mesmo?
E eu sei que Hélio Bicudo já tem tempo livre nas mãos para participar de piqueniques, e que o Miguel Reali Jr. também adora uma manifestação por uma causa animada.
Mas organizar um "Manifesto em Defesa da Democracia" só porque Lula teve um chilique com a queda de sua candidata nas pesquisas ou porque Zé Dirceu falou em tom de comício aos correligionários, a mim parece coisa de medricas.
Pessoal treme na base com Zeca Diabo, mas quem é ele mesmo? Não será aquele camarada que perdeu o cargo e ficou inelegível por oito anos? Réu em processo em que é acusado de comandar o esquema de propina do mensalão?
Defender-se dessa denúncia, convenhamos, deve tomar alguma energia da parte do interessado. Não parece provável que dê para se defender e, ao mesmo tempo, comandar a revolução.
Outro de quem agora está na moda ter medinho é do Franklin Martins. Mas, eu pergunto: quantas vezes até agora o ministro da Comunicação Social teve sucesso ao tentar preencher o vácuo deixado pela extinta Lei de Imprensa?
Pois então, deixemos o homem fazer mais esta viagem para Londres e Bruxelas a fim de conversar com dirigentes de instituições reguladoras de radiodifusão e comunicação europeus. Que mal tem?
Uns acham que a lei comum resolve e outros que se deve estabelecer um modelo regulatório para a mídia e os jornais. Que tal debater a questão, em vez de ficar todo mundo histérico achando que isto aqui vai virar a Venezuela?
barbara@uol.com.br
Encontro no Clube Militar
Da FolhaNo Rio de Janeiro, cerca de 300 pessoas, na sua maioria oficiais da reserva das Forças Armadas, aplaudiram críticas duras a tentativas de controle da mídia e da cultura e de aparelhamento estatal, em debate promovido ontem pelo Clube Militar para analisar "riscos à democracia".
O primeiro aplauso do salão lotado veio para Reinaldo Azevedo, quando declarou que a Lei da Ficha Limpa é "escancaradamente inconstitucional". Na única divergência entre os dois jornalistas no debate, Merval disse considerar a lei correta.
Lá em cima, os gritos dos manifestantes chegavam adormecidos a uma plateia bem comportada, em nada lembrando o histórico do local, que ouvia os palestrantes apontarem ações do governo contra a liberdade de expressão e e sinais de autoritarismo. "Lula é muito mais uma figura autoritária do que uma pessoa à frente de um plano para transformar o Brasil em um país socialista", disse Pereira. A plateia, cujas perguntas foram lidas pelo mediador, o diretor executivo do Instituto Millenium, Paulo Uebel, poucas vezes se manifestou.
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