domingo, 24 de outubro de 2010
3 Programas de TV que resumem:
E este,
E, por fim,
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
A você que eu respondi algum e-mail sobre as Eleições 2010 - Parte 2!
Diga "epa, pera lá"
É imagem-simulacro com todas as sensações! Política audiovisual.
Acostume-se ou, então, "diga epa, pera lá"!
Compare com esta reporcagem!
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
As eleições e Blumenau
As eleições.
Faço algumas considerações sobre as eleições, especialmente os desdobramentos regionais. Tomo a iniciativa não num ímpeto de intelectualismo, mas na condição de sujeito em formação, em aprendizagem, que precisa articular constantemente as idéias para não se desumanizar. Digo isso por que aqui em Blumenau, e em partes significativas do Estado, vivemos situação de eleições carismáticas, em torno da mitificação midiática da biografia do candidato, quase que profeticamente nascidos competentes. (E neste cenário, querer discutir política é coisa de afrescalhado, ou intelectual, ou autoritário, ou... sempre vão achar um "ou" para desqualificar quem discute e gosta de Política com P maiúsculo.)
Exemplos? Raimundo Colombo; Paulo Bornhausen; Kleinubing; Knaesel; Pizzolatti; Paulo Bauer; Amin; Décio e Ana Paula Lima; Napoleão Bernardes. Esses candidatos são eficientes estruturas de campanha permanente, alimentando mitos. São candidaturas que representam famílias históricas do cenário político e pequenos agrupamentos de elites regionais e locais. Levam, a rodo, de um lado, massa de pobres agraciados com ligações elétricas clandestinas (não é direito que seduz esses pobres) e de outro lado, por uma massa de classe medistas loucos por menos impostos para consumir mais: carros do ano, viagens, grifes em geral. Essa elite desqualifica tudo o que é público e põe no luminoso tudo o que for privado. Juram que é possível meritocracia. Essa classe média justifica a eleição dizendo que o papo furado do Lula não cola em SC. Mas o fato é que outros papos furados foram hegemônicos por aqui, tão populistas e tiriricas da vida quanto o pior pesadelo de um classe-medista.
Esta classe média e esses pobres tem ojeriza a direitos sociais, porque eles pressupõem igualdade (num sentido de justiça social). Os pobres, porque os ganhos com afagos clientelistas dão uma bolada maior que a do Bolsa-Família. Os medistas porque distinção é tudo. Sonham com uma sociedade ao estilo europeu, mas agem como estadunidenses fundamentalistas.
No cenário nacional, uma vitória de Dilma Roussef no 2o turno indicaria um Congresso Nacional pela primeira vez em seus tempos democráticos com uma maioria qualificada, uma coalização que conta com PT, PC do B, PSB, PDT, PMDB, PR, e alas informais do PP, do PV e outros. Foi uma eleição marcada pela derrota de oligarquias poderosas, como Mão Santa, adeus! Heráclito Fortes, adeus! Tasso Jereissati, adeus! Marco Maciel, adeus! César Maia, adeus! Arthur Virgilio, adeus! E claro, o fortalecimento de outras como os Viana do PT no Acre; Os Sarney do PMDB no Maranhão, os Roriz do PSCHCT (??) no DF; Os Bornhausen do DEM em SC. E ai chego no meu estado...
É preciso avançar para a coalização em torno de diretrizes programáticas, que contemplem a democracia e participação social; a cultura, ciência, tecnologia e inovação; o ecodesenvolvimento como novo paradigma de desenvolvimento local e regional; a justiça social; e as relações entre trabalho e capital.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Perigo comunista ronda o Brasil!
Folha de S.Paulo -
Barbara Gancia: Medo, mesmo, eu tenho do Neymar - 24/09/2010
BARBARA GANCIA
Medo, mesmo, eu tenho do Neymar
Só o ócio do tipo que leva à danação eterna explicaria as manifestações vistas nos últimos dias
DEVE ESTAR faltando trabalho para os advogados tapuias. Minha impressão é que parece ter pouca gente aplicando golpes na praça, prevaricando, matando e cometendo outros ilícitos.
Está certo que o pessoal anda com os ânimos acirrados por conta da eleição, mas só o ócio mais desavergonhado, do tipo que leva à danação eterna, explicaria as manifestações vistas nos últimos dias.
A começar pelo faniquito do presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D" Urso, que resolveu selecionar o que você e eu devemos apreciar na Bienal de Arte que abre amanhã. Em nome dos bons costumes, D'Urso tentou excluir da mostra as obras do artista Gil Vicente.
Alô, senhor Flávio D'Urso! Por acaso, alguém pediu sua opinião? Gostaria de saber que escola emérita de arte o senhor cursou que lhe confere o direito de decidir por mim o que devo ou não apreciar.
Seria gravíssimo se um crítico de arte tentasse exercer o papel de censor. Mas é ainda mais grave observar que o senhor D'Urso, que está no terceiro mandato como presidente da OAB (seccional São Paulo), resolveu inverter os papéis e sair atacando valores que deveria estar defendendo com a vida.
Se eu fosse a bispa Sônia, trataria de ficar com oito pés atrás. O senhor D'Urso não presta serviços para ela, na qualidade de seu defensor? Pois então. Neste episódio, ele demonstrou que precisa voltar com urgência aos livros.
Por natureza, advogados têm intimidade com o conceito de liberdade de expressão. Quando não têm, algo me diz que eles correm o risco de ser perseguidos pelas ruas e xingados de rábulas, não é mesmo?
E eu sei que Hélio Bicudo já tem tempo livre nas mãos para participar de piqueniques, e que o Miguel Reali Jr. também adora uma manifestação por uma causa animada.
Mas organizar um "Manifesto em Defesa da Democracia" só porque Lula teve um chilique com a queda de sua candidata nas pesquisas ou porque Zé Dirceu falou em tom de comício aos correligionários, a mim parece coisa de medricas.
Pessoal treme na base com Zeca Diabo, mas quem é ele mesmo? Não será aquele camarada que perdeu o cargo e ficou inelegível por oito anos? Réu em processo em que é acusado de comandar o esquema de propina do mensalão?
Defender-se dessa denúncia, convenhamos, deve tomar alguma energia da parte do interessado. Não parece provável que dê para se defender e, ao mesmo tempo, comandar a revolução.
Outro de quem agora está na moda ter medinho é do Franklin Martins. Mas, eu pergunto: quantas vezes até agora o ministro da Comunicação Social teve sucesso ao tentar preencher o vácuo deixado pela extinta Lei de Imprensa?
Pois então, deixemos o homem fazer mais esta viagem para Londres e Bruxelas a fim de conversar com dirigentes de instituições reguladoras de radiodifusão e comunicação europeus. Que mal tem?
Uns acham que a lei comum resolve e outros que se deve estabelecer um modelo regulatório para a mídia e os jornais. Que tal debater a questão, em vez de ficar todo mundo histérico achando que isto aqui vai virar a Venezuela?
barbara@uol.com.br
Encontro no Clube Militar
Da FolhaNo Rio de Janeiro, cerca de 300 pessoas, na sua maioria oficiais da reserva das Forças Armadas, aplaudiram críticas duras a tentativas de controle da mídia e da cultura e de aparelhamento estatal, em debate promovido ontem pelo Clube Militar para analisar "riscos à democracia".
O primeiro aplauso do salão lotado veio para Reinaldo Azevedo, quando declarou que a Lei da Ficha Limpa é "escancaradamente inconstitucional". Na única divergência entre os dois jornalistas no debate, Merval disse considerar a lei correta.
Lá em cima, os gritos dos manifestantes chegavam adormecidos a uma plateia bem comportada, em nada lembrando o histórico do local, que ouvia os palestrantes apontarem ações do governo contra a liberdade de expressão e e sinais de autoritarismo. "Lula é muito mais uma figura autoritária do que uma pessoa à frente de um plano para transformar o Brasil em um país socialista", disse Pereira. A plateia, cujas perguntas foram lidas pelo mediador, o diretor executivo do Instituto Millenium, Paulo Uebel, poucas vezes se manifestou.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
OPINIÃO -E a imprensa brasileira vai dar o salto para a contemporaneidade?
A fala de Lula, cobrando da mídia que saia da tocaia e revele sua parcialidade travestida de imparcialidade, parece um momento importante na história dos meios de comunicação aqui no Brasil.
Assumir seu posicionamento ideológico, respeitando o público e a própria informação, obriga a grande mídia nativa, Globo, Record, Veja, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, RBS (pra ficar nas nossas mais conhecidas) a ser contemporânea. Explico: em países com sociedade civil atuantes, o papel da mídia como ator social foi problematizado, o seu monopólio e legitimidade questionados. A identidade da mídia acompanhou desta forma, as mudanças fundamentais que ocorriam na sociedade cada vez mais plural, laica e fragmentada. Isso obrigou a mídia a assumir-se mais como veículo de uma idéia de mundo, em que certas posições serão privilegiadas, mas de maneira honesta perante o leitor. Nesses países, os veículos de informação mais importante posicionam-se perante o eleitorado e abrem seu voto, defendendo um projeto político específico como sendo o melhor, mais apropriado para o país.
Aqui no Brasil isso não acontece. Existe o mito de que jornalista e, principalmente, o veículo de mídia são isentos, já que seria uma “voz” muito fundamental na esfera pública da sociedade. A minha tese é que as relações sociais estabelecidas entre meios de comunicação e sociedade brasileira ainda é meio coronelista, arcaica, a voz da verdade.
O fato é que elas são donas de uma verdade. O Editorial do Estado, de hoje do Estado de São Paulo (“O desmanche da democracia”), iniciou movimento no sentido de “abrir” sua preferência. Óia só: “Intelectuais, juristas, profissionais liberais, artistas, empresários e líderes comunitários – todos eles figuras de projeção – lançaram ontem em São Paulo um “manifesto em defesa da democracia”, que poderá ser o embrião de um movimento da cidadania contra o desmanche da democracia brasileira comandado por um presidente da República que acha que é tudo – até a opinião pública – e que tudo pode (…)”
A Revista Carta Capital faz isso há muito tempo. É mais honesto saber que leio matérias de uma revista que abre votos para candidato X. Sempre a lerei como um fragmento do contexto, mas não como a verdade.
Esses veículos que citei acima precisam enfrentar a multidão, já que a opinião pública já não é tão coesa, e defender legitimamente os projetos de mundo que defendem. O monopólio da escrita foi ao chão. convivemos com uma diversidade de meios de informação que são hiperlinkadas, visuais, comunitárias. Nos vemos de outra maneira e por outros mecanismos.
Sou da opinião de Habermas, de que o debate deve ser de argumentos, sem verdades totalizantes. A mídia tem que se assumir ramo empresarial com interesses próprios. É questão de transparência e democracia. Apesar de pertinente se perguntar, Dilma é ideal?, este modelo encontrado para os últimos dias mostra o desesperado em ter de ser contemporânea.
ACONTECEU!
A imprensa no pós-Lula
O presidente Lula interrompeu a sucessão de pesados ataques aos meios de comunicação. Não que tenha mudado a sua peculiar visão do que seja a liberdade de imprensa - para ele, sinônimo de "informar corretamente", deixando implícito que se considera juiz, como governante, não como leitor, do que possa ser informação correta e o seu oposto. Mas mudou de tom. Numa longa entrevista ao portal Terra, divulgada na quinta-feira, Lula trocou a agressão pela crítica civilizada. Refutou as acusações de autoritarismo que se seguiram aos seus canhonaços e disse duvidar que exista um país com mais liberdade de comunicação do que o Brasil, "da parte do governo".
Esquece-se convenientemente de que o Planalto patrocinou em 2004 o projeto do Conselho Federal de Jornalismo que pretendia "orientar, fiscalizar e disciplinar" a atividade de informar. Diante da vigorosa reação da sociedade, o governo deixou a proposta morrer. De todo modo, a imprensa brasileira é hoje tão livre como era no primeiro dia de Lula presidente. Quando não é, como no caso da censura prévia imposta a este jornal, o problema se origina no Judiciário. A questão suscitada por algumas das afirmações de Lula na mencionada entrevista diz respeito ao futuro, dependendo de quem der as cartas nesse jogo, na hipótese de eleição da candidata Dilma Rousseff.
Disse o presidente que "duas ou três famílias são donas dos canais de televisão, e as mesmas são donas das rádios e donas dos jornais". (Nem por isso ele exprime desconforto com o fato de que o patriarca de uma dessas famílias é o seu dileto aliado José Sarney.) Disse também, embora não tivesse empregado o termo, que a propriedade cruzada dos meios de comunicação terá de ser revista no próximo governo, ou nos próximos governos, quando o Congresso deverá inexoravelmente estabelecer um novo marco regulatório do setor de telecomunicações. "Discutir isso", ressaltou, "é uma necessidade da nação brasileira." De pleno acordo. Não é de hoje que o Estado critica a concentração da propriedade na mídia e as facilidades para que um punhado de grupos econômicos controle, numa mesma praça, emissoras e publicações.
Ocorre que a exortação de Lula não pode ser dissociada das investidas petistas contra a autonomia da produção jornalística. Em circunstâncias normais, a preocupação manifestada pelo presidente seria salutar e merecedora de apoio. Mas ela pode ser tudo menos isso. É como na Argentina. Há pouco tempo, o governo da presidente Cristina Kirchner fez o Congresso aprovar uma Lei de Meios, a qual, tomada pelo valor de face, se destinaria a coibir a formação de conglomerados de comunicação, abrangendo, além das modalidades tradicionais, serviços de internet, TV a cabo e telefonia. Mas, ao dotar o governo de amplos poderes para intervir no setor, esse marco regulatório tem o claro propósito de dar à Casa Rosada poder para premiar a imprensa complacente e asfixiar aquela que ainda não desertou de suas funções de fiscalização e crítica.
Imaginem-se, portanto, os riscos de que um Congresso dominado pela coalizão lulista - e sob pressão dos "movimentos populares" atrelados ao PT - venha a impor uma legislação semelhante à do país vizinho, com o mesmo fim. Não se trata de fantasia. O ambiente para tal vem sendo laboriosamente construído pelos garroteadores em potencial da mídia. Entre um golpe de borduna e outro do presidente, por exemplo, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, cujas ambições partidárias no pós-Lula são amplamente conhecidas, aparece falando em "abuso do poder de informar" - uma óbvia senha para a companheirada. Seria o cúmulo da ingenuidade não ligar os pontos dessa urdidura.
O único dado alentador, no momento, foram as declarações de Dilma em defesa da liberdade de imprensa. A candidata não só tornou a repetir a boutade de que o único controle social da mídia que aprova é o controle remoto do televisor, como prometeu que, se eleita, não tentará impedir que a imprensa fale dela o que bem entender. "No máximo", antecipou, "vou dizer: está errado, por isso, por isso e por isso." É esperar que a sua posição prevaleça, se ela for a próxima presidente - que esperamos que não aconteça.