Em poucos dias, mais uma edição do Festival Internacional de Teatro Universitário de Blumenau. O evento é um dos maiores festivais da América Latina, importante e prestigiado no circuito das universidades brasileiras, do MERCOSUL e de Portugal, sejam públicas ou privadas.
Eu tenho grandes dúvidas a respeito da visibilidade local do Festival: não seria surpresa se a maioria dos blumenauenses não souber da sua existência, ou mesmo possa dar o nome completo do evento, ou mesmo que participe dele, assistindo a um espetáculo. A organização do FITUB tenta e se esforça: existe, por exemplo, o Palco sobre Rodas. Existe descentralização no Festival (se houvessem mais recursos, essa descentralização poderia ser aprofundada).
Mas não se pode falar mal do “blumenauense médio”: ele só amplifica a indiferença da elite política e econômica de Blumenau. Essa elite local, penso eu a partir de alguns indícios, nem passa o final de semana em Blumenau. É pseudo-cosmopolita, mas aqui na aldeia, mostra sua cara século XIX. Reclama da ignorância do povão, mas seus gostos ...
Voltando ao FITUB, parte dessa elite, não se interessa por Teatro e não tem paciência para assistir "atores em uma jaula", como disse certa vez guru intelectual da elite local. Eles curtem coisas legais, bacanas, que saíram em algum programa da Tevê à cabo. Adoram pagar R$70 R$ 50 reais por um ingresso para "Analista de Bagé filho gay em orgia heterossexual".
Mas não se pode falar mal do “blumenauense médio”: ele só amplifica a indiferença da elite política e econômica de Blumenau. Essa elite local, penso eu a partir de alguns indícios, nem passa o final de semana em Blumenau. É pseudo-cosmopolita, mas aqui na aldeia, mostra sua cara século XIX. Reclama da ignorância do povão, mas seus gostos ...
Voltando ao FITUB, parte dessa elite, não se interessa por Teatro e não tem paciência para assistir "atores em uma jaula", como disse certa vez guru intelectual da elite local. Eles curtem coisas legais, bacanas, que saíram em algum programa da Tevê à cabo. Adoram pagar R$70 R$ 50 reais por um ingresso para "Analista de Bagé filho gay em orgia heterossexual".
Se fosse um encontro tipo “Brasil-Alemanha” ou uma Feira de Mascates qualquer, a municipalidade inteira estaria agora, quinze dias antes, ‘babando’ litros. As ruas do centro teriam bandeirinhas, o comércio prepararia promoções especiais, os bares e casas noturnas estariam programados para fazer festas temáticas etc. Mas não acontece nada. Tá certo que não são mil atores que chegam a Blumenau, nesses dias. Mas todo evento tem seu aspecto material, simbólico e ambiental. Ficar observando e levando em conta tamanho é assunto de "inseguros". Pergunte-se a respeito dos ganhos que a Oktoberfest traz a cidade nos aspectos simbólico e ambiental e veja se compensa. Ou então, se a questão é só grana, porque não continuaram a incentivar a Oktoberfest tipicamente anos 1990, quando a Blumenau recebia 1 milhão e 300 mil visitantes?
Por fim, o FITUB consta no calendário municipal? Ouvi dizer que não, por se tratar de um evento que ainda sofre com a falta de recursos, podendo não acontecer, como há dois anos atrás.
Por fim, o FITUB consta no calendário municipal? Ouvi dizer que não, por se tratar de um evento que ainda sofre com a falta de recursos, podendo não acontecer, como há dois anos atrás.
A grande exceção, nesse cenário de buraco vazio e cada vez mais silencioso, fica por conta do jornalista Vinicius Batista, que vem caracterizando os setes espetáculos que compõem a Mostra Universitária Nacional (As matérias poder ser acessadas clicando em: "A Porca Faz Anos", "Trânsito Livre", "Ponto de Partida") com matérias as terças e quintas-feiras no Lazer, do Jornal Santa Catarina.
Importante, também, destacar o apoio e respaldo do Reitor João Natel, assegurando politicamente o evento.
Importante, também, destacar o apoio e respaldo do Reitor João Natel, assegurando politicamente o evento.
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Quer dizer, o FITUB é desimportante? Muito, para políticos e lideranças econômicas de Blumenau e para mais da metade dos 300 mil habitantes do município.
Agora, por outro lado, ele é fundamental:
Agora, por outro lado, ele é fundamental:
· * Para a própria existência do Curso de Artes da FURB, que inclui Teatro, Música, Artes Visuais;
· * Para os mais de quinze grupos teatrais estabelecidos e com trabalho cotidiano que existem por aqui – aqui são quase 150 pessoas que acionam relações que se desdobram nos trabalhos desses grupos. Ou seja, intercâmbios e conversas sempre geram motivações criativas que terminam virando pesquisas ou espetáculos locais.
· * Para os estudantes de teatro das escolas técnicas espalhadas por Blumenau.
· Para os públicos fruidores de teatro, que prestigiam estéticas e espetáculos variados;
· * A própria imagem de Blumenau: se você visitar alguma universidade, em qualquer parte do país mais distante daqui, talvez a referência a Blumenau não fique restrita apenas a Oktoberfest.
Agora, se ele for visto como um olhar mais abrangente seja pelo seu estimulo ao desenvolvimento das artes cênicas em Blumenau e no estado de Santa Catarina, seja pela ampliação dos repertórios culturais a disposição dos públicos locais, seja pela produção de massa intelectual no município de Blumenau, a sua importância é menosprezada violentamente pela elite política e econômica local e regional. Apesar das proporções de cada um, o exemplo próximo a Blumenau é o Festival de Dança de Joinville, destaque mesmo daquela cidade.
Não precisaria ser tanto assim...
Mas bem que prefeitura de Blumenau, Fundação Cultural de Blumenau e CDL, ao menos, poderiam levar esse grande momento cultural do município com mais seriedade.
Apoio, forte e garantido, só se for um evento do tipo “copo-na-mão”. Esses têm todo o prestigio. Um pouco mais de carinho para outros tipos de embriaguez, caí bem. Bem vindo, FITUB! Ein Prosit!
mais informações sobre o 24o FITUB - Página oficial do Festival.
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