Gostei deste artigo que saiu no Jornal de Santa Catarina. Precisamos mesmo é apontar as diferenças para buscar um equilíbrio mais ou menos coerente com a realidade do campo cultural de Blumenau. Valeu Tiago.
26/07/2011 | N° 12317
ARTIGO
Na situação atual, é razoável dizer que as forças estatais produzem parâmetros que orientam a produção da saúde, da educação e da arte. Neste âmbito, as reivindicações referentes às políticas públicas da Fundação Cultural de Blumenau se mostram como parte da relação violenta que sujeita as condições da expressão artística de determinados grupos às vontades de uma lógica de poder estatal.
Não é questão aqui de deslegitimar ou desmobilizar a luta por políticas públicas mais efetivas na área da cultura. Como produção coletiva, este escrito, em nome de outros estudantes, além daquele que o assina, quer fazer perceber que se o Estado pode exercer regulações determinando limites sobre práticas que têm a liberdade como princípio (como é o caso da arte), é porque ele age no processo de captura destas práticas que, paradoxalmente, procuram exercer a liberdade artística em meio às mordaças do próprio Estado.
Frente a isto, observa-se um jogo de forças onde o exercício da autonomia artística se depara com a heteronomia a qual está sujeita (ao impor à produção cultural a necessidade de regulação estatal). Como consequência, este exercício é interrompido nos juízos do Estado que se impõe fazendo com que os que dele dependem para o fazer artístico tenham arrancados seus braços e sua língua. Deste modo, vê-se que o que está em jogo não é a arte nem a cultura. Mas, o arbítrio que define os braços e a língua produtores da cultura legítima de certo grupo (de artistas, intelectuais, professores etc.) que requer sobre a cultura o reconhecimento estatal na forma de subsídios econômicos.
Em todo caso, os grupos artísticos que operam em linhas de fuga diante da perversa lógica econômica e política, isto é, dela mais ou menos emancipada, sem deixar de fazer disso um ato político, são impelidos à invisibilidade, haja vista que os princípios que definem a cultura legítima são produzidos, aqui, através do Estado e das instituições a ele subordinadas que, como resultado, torna visível o que está autorizado a se chamar de cultura.
Não é questão aqui de deslegitimar ou desmobilizar a luta por políticas públicas mais efetivas na área da cultura. Como produção coletiva, este escrito, em nome de outros estudantes, além daquele que o assina, quer fazer perceber que se o Estado pode exercer regulações determinando limites sobre práticas que têm a liberdade como princípio (como é o caso da arte), é porque ele age no processo de captura destas práticas que, paradoxalmente, procuram exercer a liberdade artística em meio às mordaças do próprio Estado.
Frente a isto, observa-se um jogo de forças onde o exercício da autonomia artística se depara com a heteronomia a qual está sujeita (ao impor à produção cultural a necessidade de regulação estatal). Como consequência, este exercício é interrompido nos juízos do Estado que se impõe fazendo com que os que dele dependem para o fazer artístico tenham arrancados seus braços e sua língua. Deste modo, vê-se que o que está em jogo não é a arte nem a cultura. Mas, o arbítrio que define os braços e a língua produtores da cultura legítima de certo grupo (de artistas, intelectuais, professores etc.) que requer sobre a cultura o reconhecimento estatal na forma de subsídios econômicos.
Em todo caso, os grupos artísticos que operam em linhas de fuga diante da perversa lógica econômica e política, isto é, dela mais ou menos emancipada, sem deixar de fazer disso um ato político, são impelidos à invisibilidade, haja vista que os princípios que definem a cultura legítima são produzidos, aqui, através do Estado e das instituições a ele subordinadas que, como resultado, torna visível o que está autorizado a se chamar de cultura.
TIAGO RIBEIRO SANTOS|ESTUDANTE
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