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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Trabalho Escravo aos montes em Santa Catarina

E dizem que este estado é modelo...
Como diria a Xuxa verde, "Senta lá Claúdia..."


SC só perde para Goiás e Pará
Estado flagrou mais de 200 casos análogos a escravidão


PONTE SERRADA - Santa Catarina é o terceiro Estado em número de trabalhadores libertados de trabalho em condições análogas a de escravidão em 2010. De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, até 17 de setembro, foram libertados 228 trabalhadores no Estado. Somente Goiás, com 343, e Pará, com 338, tiveram número superior.


Um dos casos que mais chamou a atenção foi o de 12 trabalhadores que moravam num chiqueiro, em Ipumirim, Meio-Oeste catarinense. Eram panelas, roupas e alimentos no mesmo espaço de baias cheias de dejetos e até um cavalo. A situação foi flagrada em maio. Outros 15 trabalhadores foram libertados no início deste mês, em Xanxerê. Estes ainda não estão computados nos dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Trabalhavam no corte de erva-mate e dormiam amontoados numa casa com cerca de 40 metros quadrados, com má ventilação. Tomavam banho em um rio, construíram um banheiro improvisado e canalizaram água de um córrego onde descobriram, dias depois, que havia uma vaca morta a menos de 50 metros do local. Além disso, não tinham equipamento de segurança nem assistência médica.


Sem opções, trabalhadores se submetem


Numa ação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público Federal e Polícia Federal os trabalhadores foram retirados do local, indenizados e retornaram para suas casas, em Ponte Serrada. O proprietário foi autuado e teve de pagar indenização para os trabalhadores.


De acordo com a coordenadora do Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego, Luize Surkamp, a falta de escolaridade é um dos principais fatores deste tipo de submissão:


– Mais de 90% não têm a 5ª série.


Com isso, os trabalhadores não conseguem empregos melhores e acabam aceitando situações precárias. Tanto que nove pessoas que foram libertadas nos últimos dois anos são reincidentes. A maioria dos casos foi registrada em atividades de corte de erva-mate e reflorestamento. Luize acredita que o número de trabalhadores em condições análogas à de escravo é bem maior.


– No Sul não tem a cultura da denúncia – explicou.


darci.debona@diario.com.br


DARCI DEBONA

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Notícia importante para a Cultura Catarinense


Angela Albino apresenta PEC que prevê recursos pra cultura em 140 mi


Depois de conseguirem, nesta quarta, 1° de setembro, as 14 assinaturas necessárias à apresentação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) na Assembleia Legislativa, a deputada Angela Albino (PC do B) e o deputado Padre Pedro Baldissera (PT) protolocaram, no final da tarde, a PEC 12/2010, que prevê a aplicação mínima anual de 1,5% da receita de impostos, no desenvolvimento da cultura em Santa Catarina. Outros 15 parlamentares assinaram apoiando a proposta.

Caso seja aprovada, a proposta praticamente quadriplica o orçamento do setor. Serão aproximadamente R$ 140 milhões disponíveis, R$ 100 milhões a mais em relação ao valor repassado atualmente pelo Funcultural (formado por 0,5% da receita tributária líquida, por doações e financiamentos de entidades públicas e privadas e pela tributação de atividades lotéricas).

O texto da PEC prevê que os recursos financiem a preservação do patrimônio cultural catarinense e a produção e difusão da cultura estadual. Na prática, ela enquadra Santa Catarina nas diretrizes do Sistema Nacional de Cultura. “O orçamento hoje é pequeno e, além disso, é muito mal distribuído. A PEC pode ser um passo histórico para o desenvolvimento da cultura no Estado”, afirma o produtor cultural Thiago Skarnio, que atua em diversos projetos na área.

Para o deputado Padre Pedro, além de aumentar a verba garantida ao setor, a PEC privilegia o investimento em quem produz e difunde cultura dentro de Santa Catarina. “Hoje muitos projetos que ganham repasses gigantescos não têm qualquer relação com o que é produzido aqui. O dinheiro não financia quem produz cultura, mas quem lucra com megaproduções”, defendeu o parlamentar.

“Mais do que comemorarmos essa conquista que se aproxima, temos que assegurar que as verbas futuramente destinadas à produção cultural no Estado sejam distribuídas com transparência e por meio de edital. Só assim garantiremos a preservação e disseminação da cultura catarinense”, completou Angela Albino.

PRÓXIMOS PASSOS

Depois de protocolada , a PEC ainda deve percorrer um longo caminho. Após a leitura do texto em sessão na Assembléia Legislativa , a Proposta será publicada e encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que em um prazo de 15 dias (prorrogável por mais 15) deve emitir parecer de admissibilidade

Considerada aprovada, a Proposta volta, à CCJ para exame, que então passa a ter um prazo de 40 dias para proferir parecer

A partir daí, a PEC é submetida a dois turnos de discussão e votação, com intervalo de cinco sessões. Para ser aprovada nos dois turnos, precisa alcançar 3/5 dos votos dos membros da Assembléia, em votação nominal.

Só então a PEC será promulgada pela Mesa da Assembléia, e cópias serão enviadas ao Governador do Estado e ao Presidente do Trbunal de Justiça.
Outras Informações
Entrevista do Deputado Padre Pedro Baldissera para a Rádio da Assembléia Legislativa de Santa Catarina: http://radio.alesc.sc.gov.br/lernoticia.php?id=4636
FONTE: Pontão Ganesha